De 7 a 13 de setembro de 2020
De 7 a 13 de setembro de 2020

Por Natasha Bachini, Eduardo Barbabela, Douglas Moura, Keila Rosa, Andressa Liegi Costa, Lucas Loureiro, Bruna Medina, Ana Beatriz Getirana, Matheus Ribeiro, Robson Nunes, Victor Nobre e João Feres Jr
30/09/2020 -

Entre os dias 7 a 13 de setembro, o destaque foi o deputado federal André Janones. Os posts do deputado alcançaram 2.406.583 compartilhamentos durante essa semana. Das 719 páginas analisadas, 632 publicaram durante esse período. No total da amostra da semanal, foram verificadas 16.719 publicações. Dentre elas, 9.911 (43%) fotos, 5.652 (35%) links, 3.453 (21%) vídeos e 167 (1%) status – ferramenta de compartilhamento de humor, sentimentos, pensamento ou atividade.

Pela quarta semana seguida o auxílio emergencial foi o principal assunto e o deputado federal André Janones (AVANTE-MG) seu principal arauto. Janones emplacou nove postagens, dentre as quais as sete mais compartilhadas na semana. No principal post da semana, o deputado trouxe duas informações que considerava importantes para a população. A primeira estava na reprodução do discurso do Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) de que os deputados federias estavam sendo pressionados para voltar ao valor de 600 reais do auxílio emergencial, o que para Janones seria uma prova do trabalho do povo. A segunda informação seria que o deputado já teria o apoio da maioria de deputados para votar o retorno do auxílio a 600 reais.

O deputado solicitou que a mobilização virtual fosse mantida para que Rodrigo Maia colocasse sua emenda na pauta, pois para ele os deputados não teriam coragem de votar na frente do povo brasileiro pela redução do auxílio emergencial.

Em outros vídeos, Janones apresentou sua nova temática: o aumento do preço dos alimentos no mercado. O deputado pontuou que o preço subiu porque o consumidor nacional estaria disputando os produtos com grandes mercados, como o chinês, pois os produtores preferem vender “para fora” para lucrarem mais com o dólar alto. O deputado afirmou que apresentará um projeto de lei para proibir o aumento do preço dos alimentos durante a pandemia e que irá pressionar o Congresso para votar esse projeto.

Esta semana o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) também postou sobre o auxílio emergencial. Bolsonaro publicou um vídeo de um eleitor lhe agradecendo pelo auxílio, que o ajudou a reiniciar o seu empreendimento. O presidente respondeu afirmando que o auxílio era para durar apenas 6 meses e que não seria possível para o país continuar gastando 50 bilhões por mês e, por isso, a redução para 300 reais seria necessária.

Bolsonaro também comentou a relação do auxílio emergencial com o aumento do preço dos alimentos. Segundo ele, os rizicultores estavam com prejuízos, mas o presidente afirmou que o preço estaria se normalizando e que ele não iria interferir no mercado de jeito algum e que não haveria “canetaço” para resolver o problema da economia. Disse ainda que antes o criticavam por defender a economia e, por causa disso, estaríamos desse jeito, mas que perdoava quem falou isso.

Em outra publicação, o Presidente postou um vídeo emocionado sobre a sua trajetória e remetendo-a toda a Deus. No vídeo afirma que ele pode ser o chefe da nação, mas o homem do Brasil é Deus. Bolsonaro também assevera que o Brasil mudou com sua eleição e que agora o país é aliado do povo, que reconhecia seus militares e acreditava em Deus. O presidente também realizou uma live da reunião ministerial com alguns ministros e junto com a youtuber Esther, de 10 anos, que no ato faz perguntas aos ministros presentes sobre a política atual. Ao final Esther pergunta ao vice-presidente Hamilton Mourão se ele pensava em ser presidente algum dia. Ele responde: “de forma alguma”.

Os bolsonaristas emplacaram também posts com ataques a opositores. O deputado federal Filipe Barros (PSL-PA) publicou um vídeo criticando as “fantasias” do ex-presidente Lula com matérias que negariam o que ele dizia. A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) postou uma imagem sobre os advogados do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin e Roberto Teixeira, informando que foram alvos de operação da Polícia Federal, supostamente por liderarem um esquema de tráfico de influência no STJ e fraudes no Sistema S. Em outro ataque, agora destinado ao Presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, a deputada afirmou que um empresário delatou o presidente da OAB acusando-o de receber 120 mil reais para sua campanha de reeleição em 2014 por meio de contrato fraudulento.


O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) também emplacou posts essa semana em nosso ranking. O deputado publicou sobre a denúncia do Ministério Público do Trabalho de Goiás a um empresário por fazer apologia ao trabalho infantil. Eduardo criticou a repercussão do caso. Em outra postagem, Eduardo Bolsonaro publicou vídeo de uma entrevista de Sikêra Junior que afirmou que o maior erro de Jair Bolsonaro era falar com a imprensa. Sikêra Junior considerava que caso as pessoas quisessem saber o que ele tem a falar, assistam as lives que ele faz, pois a imprensa só distorcia e falava mal do presidente, e afirmou que os repórteres escreviam dando “uma cheirada no pó ou fumam maconha” para prejudicar o Bolsonaro. Após isso, Sikêra destacou pontos positivos do governo que a imprensa não divulgaria, como a continuidade da transposição do São Francisco.

Nesta semana, André Janones manteve seu domínio nos compartilhamentos no Facebook com postagens sobre o auxílio emergencial e agora também com conteúdo sobre a alta de preços. A deputada Carla Zambelli também continuou a se destacar por seus ataques aos adversários do governo do presidente Jair Bolsonaro. E, desta vez, Zambelli teve o apoio de Eduardo Bolsonaro.

Já o presidente voltou a usar Deus em seus discursos, colocando-se como salvador do Brasil, o escolhido para lutar e defender a religião e a família. Bolsonaro continuou a transmitir uma imagem de homem do povo, simples, familiar e descontraído. A reunião ministerial com a youtuber infantil Esther reforçou essa representação, além de reafirmar o apoio das forças armadas a seu governo com a fala de Hamilton Mourão de que não tem interesse nenhum em ser presidente do país.

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