De 27 de julho a 2 de agosto de 2020
De 27 de julho a 2 de agosto de 2020

Por Natasha Bachini, Eduardo Barbabela, Douglas Moura, Keila Rosa, Andressa Liegi Costa, Lucas Loureiro, Bruna Medina, Ana Beatriz Getirana, Matheus Ribeiro, Robson Nunes, Victor Nobre e João Feres Jr
13/08/2020 -

Entre os dias 27 de julho e 3 de agosto de 2020, as 719 páginas monitoradas por nós produziram 16.882 posts que geraram 8.277.481 compartilhamentos. Os recursos utilizados nos posts foram foto (42%), link (36%), vídeo (21%) e texto (1%). As publicações renderam ainda 3.850.813 comentários e 33.407.709 reações.

Os assuntos dos posts mais compartilhados da semana relacionam-se à pandemia do Covid-19, às ações do governo federal e à disputa ideológica promovida pela extrema-direita na rede.

Os posts da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) destacaram-se por incitar alto engajamento durante o período, respondendo por 60%  das publicações do ranking. A deputada publicou posts que ora enalteciam o atual governo, ora atacavam seus opositores políticos. Um dos seus posts de maior repercussão explicava “o que é ser de direita?”. Neste vídeo, protagonizado pelo ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, afirma-se que a classe média é naturalmente de direita, e que ser de direita significa “um sonho de uma vida estável, sem violência, sem ninguém receber auxílio do governo, sem roubos, e com punição de criminosos”.

Nesta linha, Zambelli defendeu em outro post que Bolsonaro privatize os presídios, e que os presos sejam obrigados a trabalhar. Numa tentativa de afrontar os governadores opositores ao governo, e em especial João Dória, a deputada defendeu que os estados que não criarem a unidade especializada de combate à corrupção até 14 de agosto percam os recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública do ano de 2020. Zambelli criticou ainda o posicionamento contrário de PT, PCdoB, PDT, PSOL e Rede com relação ao PL 6407/13 (Nova Lei do Gás), alegando que ao rejeitarem  o caráter  de urgência do projeto, que não foi previamente debatido na Câmara, estes se negavam a ajudar os mais pobres.

A Rede também foi alvejada também por entrar com uma ação no STF o dossiê do governo sobre os grupos antifascistas realizada pelo Ministério da Justiça. O PT também foi tema de posts de Zambelli. A deputada criticou o  inquérito das Fake News do STF por suspender as contas bolsonaristas difusoras de desinformação, e manter as contas do ex-presidente  Lula.

Zambelli ainda inflou a discussão pública sobre moralidade fazendo coro com a Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, ao compartilhar um vídeo seu alertando sobre a exposição de crianças e adolescentes aos “estupradores digitais”. Em outro post sobre o tema, a deputada acusou o influencer digital Felipe Neto de ser autor de um livro impróprio, que deveria ser jogado no lixo pelas livrarias.

A moral conservadora foi tema também dos posts dos deputados Bia Kicis (PSL-DF) e Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ). Kicis somou-se aos acusadores de Felipe Neto, afirmando que tanto o influencer, quanto a família da cantora Gretchen e a apresentadora Xuxa, tentam “desvirtuar as crianças”. Já Eduardo criticou a empresa Natura por ter colocado o ator Thammy Miranda, filho transexual de Gretchen, na campanha de Dia dos Pais da empresa.

O deputado federal André Janones (AVANTE-MG) garantiu, mais uma vez, a primeira colocação no ranking ao tratar da prorrogação do auxílio emergencial. Em vídeo, Janones informou o veto do presidente Bolsonaro à preferência de mães e pais solteiros no recebimento do auxílio, e afirmou estar estudando com sua equipe uma maneira de revertê-lo.

Jair Bolsonaro (sem partido) usou o Facebook para propagandear algumas ações do governo federal, como a autorização para construção da ponte de Belo Monte no Rio Xingu, as obras de transposição do rio São Francisco, e o repasse de verbas e insumos para o estado e municípios do Pará no combate à Covid-19. Nestes posts procurou-se demonstrar a simpatia dos nortistas e nordestinos pelo presidente a partir de áudios elogiosos a Bolsonaro com sotaque e gírias características destas regiões, e creditar o atraso nas obras ao PT.

Em suma, as páginas da extrema-direita  realizam campanha negativa permanente, reduzindo o debate político a ataques de toda ordem contra seus opositores. Ademais, promovem na rede pautas conservadoras, como a redução da política à  corrupção, a segurança pública e os valores da família tradicional, colocando-se em suposta superioridade moral em relação à esquerda e desviando a atenção de pautas que sejam prejudiciais  ao governo.

Você pode baixar o nosso relatório, clicando aqui.

Apoie o Manchetômetro

Criado em 2014, o Manchetômetro (IESP-UERJ) é o único site de monitoramento contínuo da grande mídia brasileira. As pesquisas do Manchetômetro são realizadas por uma equipe com alto grau de treinamento acadêmico e profissional.

Para cumprirmos nossa missão, é fundamental que continuemos funcionando com autonomia e independência. Daí procurarmos fontes coletivas de financiamento.

Conheça mais o projeto e colabore: https://benfeitoria.com/manchetometro

Compartilhe nossas postagens e o link da campanha nas suas redes sociais.

Seu apoio conta muito!

Publicação anterior

Por André Bonsanto e João Feres Júnior
11/08/2020 -   “Apoio à democracia bate recorde diante do risco Bolsonaro”. A manchete publicada na capa da Folha de S. Paulo do dia 28 de junho de 2020 – divulgando resultados ...
Próxima publicação

Por Eduardo Barbabela, Mariane Matos, Lidiane Vieira, Luiza Medeiros e João Feres Júnior
14/08/2020 - Neste Boletim M, a equipe do Manchetômetro apresenta uma análise dos editoriais publicados nos grandes jornais brasileiros em julho de 2020, que corresponde ao décimo nono mês de governo Bolsonaro. ...