12/12/2019 -

No período de 4 a 10 de dezembro, os editoriais da grande imprensa[1] abordaram as temáticas listadas na Figura 1. Consideramos, para análise mais específica em nosso boletim, aquelas presentes simultaneamente nos três jornais que, nesta semana, foram Bolsonaro e o desempenho da educação brasileira no Pisa.[2]

A Figura 2 apresenta, a título de acompanhamento, a posição dos editoriais sobre o presidente.

Figura 1: Temáticas presentes nos editoriais (4 a 10/12/2019)

 

BOLSONARO. Nesta semana, o presidente Jair Bolsonaro esteve nos editoriais dos três jornais que monitoramos, sempre alvo de críticas. A Folha destaca os resultados da  pesquisa do Datafolha que apontam para a alta taxa de desaprovação Bolsonaro.[3] O jornal responsabiliza o presidente por apostar na cisão e não na concórdia. Em outro editorial, a Folha faz crítica voraz à política cultural do governo, acusando-o de aparelhamento ideológico da máquina pública – em contradição com o que pregou em campanha – e nomeação de pessoas que não têm qualificação para o exercício de funções.[4] O Globo também faz editorial crítico a Bolsonaro, mas não sem antes falar do PT nos dois primeiros parágrafos. O jornal carioca afirma que “ações destrutivas do governo no meio ambiente e em áreas da Cultura constituem uma política” e  que o governo Bolsonaro tem intenções destrutivas e trava uma “guerra cultural”. Repetindo um argumento que tem usado com frequência em críticas ao presidente, O Globo pede que “as instituições republicanas sejam acionadas em defesa de patrimônios públicos contra ações corrosivas destiladas por ideologias extremistas”.[5] OESP dedicou dois editoriais ao tema. Assim como nos outros jornais, em um deles criticou a política cultural do governo, que une, em sua opinião, terraplanismo, antirrepublicanismo e irracionalidade, tornando a ignorância quase uma exigência curricular.[6] Em outro texto, critica Jair Bolsonaro e a Medida Provisória (MP) 892/2019, que caducou nesta semana por não ter sido aprovada pelo Congresso dentro do prazo, e que constituía, segundo o jornal, irresponsável agressão à liberdade e à independência da imprensa.[7] Com a MP 892/2019 bastaria a publicação das demonstrações financeiras de sociedades anônimas no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) “e da entidade administradora do mercado em que os valores mobiliários da companhia estiverem admitidas à negociação”. Ou seja, não seria mais necessário publicá-las nos jornais. OESP argumenta que a medida tinha a intenção de abalar financeiramente os meios de comunicação que bolsonaro está “sempre a hostilizar”.

 

EDUCAÇÃO. A divulgação da colocação do Brasil no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) fez da educação a segunda temática presente nos editoriais dos três jornais que criticam, de forma unânime, o desempenho brasileiro, responsabilizando o Ministério da Educação (MEC). A Folha ressalta a necessidade de maior igualdade de acesso à educação e critica o ministro Abraham Weintraub por estar mais interessado em batalhas ideológicas do que na base comum curricular.[8] O Globo chama o desempenho brasileiro de sofrível e critica o fato de que, com o atual governo, o MEC tenha passado a ser “instrumento da ‘guerra cultural’ que a extrema direita bolsonarista trava contra inimigos”. Mas vislumbra saída, sugerindo que Weintraub precisa “mobilizar os recursos do MEC para enfrentar este quadro de estagnação na evolução do aprendizado”.[9] OESP discute os resultados da avaliação e de pesquisa que demonstra péssimos resultados da educação no país.[10] Em um segundo editorial, o jornal paulista critica as respostas genéricas, em vez de técnicas, e confusas dadas por Bolsonaro e Weintraub aos resultados divulgados e destaca a importância em investir em educação no país.[11]

 

Nesta semana, o presidente Bolsonaro voltou a ser o centro das duas temáticas abordadas por todos os jornais. Seja como tema principal, seja pelas consequências das escolhas de seu governo, sempre como alvo de críticas. Conforme as figuras 2 têm mostrado, quando o presidente aparece, é tratado de forma negativa majoritariamente.

Figura 2: Valências da abordagem a Jair Bolsonaro nos editoriais (4 a 10/12/2019)

 

[1] Para este boletim, consideramos 49 editoriais publicados por Folha de S. Paulo (FSP), O Estado de S. Paulo (OESP) e O Globo.

[2] Outros cinco temas ficaram fora do ranking, mas foram abordados por dois jornais cada na última semana: Paraisópolis (OESP e FSP); Índice de Desenvolvimento Humano (O Globo e OESP); Mercosul (OESP e O Globo); financiamento partidário (FSP e O Globo); economia (FSP e OESP).

[3] Divisão consolidada, OESP, 10/12/2019.

[4] Aparelho cultural, FSP, 7/12/2019.

[5] Programa bolsonarista de demolições, O Globo, 8/12/2019.

[6] Obscurantismo explícito, OESP, 9/12/2019.

[7] Caducou a arbitrariedade, OESP, 5/12/2019.

[8] Aquém do básico, FSP, 5/12/2019.

[9] Posição do Brasil no Pisa preocupa mais com um MEC sem rumo, O Globo, 4/12/2019.

[10] Mudança demográfica e ensino, OESP, 9/12/2019.

[11] O Pisa e o futuro da educação, OESP, 7/12/2019.