Boletim Editorial 18
Boletim Editorial 18

Por Juliana Gagliardi, Eduardo Barbabela, Lidiane Vieira e João Feres Júnior
21/12/2019 -

No período de 11 a 17 de dezembro, os editoriais da grande imprensa[1] abordaram as temáticas listadas na Figura 1. Consideramos, para análise mais específica em nosso boletim, aquelas presentes simultaneamente nos três jornais que, nesta semana, foram as eleições britânicas e a posse de Alberto Fernandez (Argentina).[2]

A Figura 2 apresenta, a título de acompanhamento, a posição dos editoriais sobre o presidente Jair Bolsonaro.

Figura 1: Temáticas presentes nos editoriais (11 a 17/12/2019)

 

ELEIÇÕES BRITÂNICAS. As eleições britânicas foram o tema que recebeu mais espaço nos jornais que monitoramos, Foram destacados, especialmente, os dilemas do Brexit, movimento de saída do Reino Unido da União Europeia (UE) que já se arrasta por meses por discordâncias no Parlamento. A Folha contextualiza a eleição e opina que nem o primeiro-ministro no cargo, Boris Johnson, nem seu oponente eleitoral, o trabalhista Jeremy Corbyn, parecem habilitados para resolver o Brexit.[3] Em outro texto sobre o tema, a FSP critica a oposição inglesa (e a esquerda de modo geral), na pessoa de  Corbyn, chamando-o de “fóssil”, por defender propostas que o jornal considera antiquadas (como nacionalizações no plano econômico) e comparando-o à esquerda brasileira, que se vê como saída ao Governo Bolsonaro, mas está “agarrada a arcaísmos”.[4] OESP[5] aborda o resultado eleitoral, que deu ao Partido Conservador maioria, como a possibilidade de se alcançar, finalmente, um desfecho para o Brexit e destaca que o primeiro-ministro terá o desafio de lidar com o que virá depois. Do mesmo modo, O Globo especula sobre a possibilidade de saída do Reino Unido da UE afinal com a vitória de Johnson.[6] Em um segundo editorial, o jornal carioca usa o caso da eleição britânica para criticar o voto distrital, que permitiria uma série de distorções, reforçando, por outro lado, o modelo proporcional brasileiro que, em sua opinião, “reflete de forma mais fidedigna as tendências eleitorais e políticas da população.”[7]

 

ARGENTINA. OESP saúda os sinais de opção pelo pragmatismo nas relações entre o Brasil e a Argentina depois que o presidente Bolsonaro resolveu enviar seu vice, Hamilton Mourão, à posse do presidente Alberto Fernandez.[8] Ainda que isso não signifique o fim de divergências que são ideológicas, o editorial de OESP ressalta a importância disso em nome de décadas de boas convivências e sólidas relações comerciais. A FSP considera boa a estreia de Fernandez que se coloca como um conciliador e destaca a mudança no comportamento que considerava de tom “inflamatório e os flertes demagógicos” durante a campanha do candidato peronista mas que assumem agora tendências mais liberais.[9] O Globo, também destacando o tom conciliatório, afirma que o novo presidente argentino, Alberto Fernandez, acerta ao optar pelo pluralismo nas alianças, já que, sem sólida maioria legislativa, precisará negociar com a oposição. Mas reforça ainda como seu problema a vice, Cristina Kirchner, e o fato de que em sua posse, Alberto não deu algumas respostas, como de onde virá o dinheiro para emergências sociais.[10]

Figura 2: Valências da abordagem a Jair Bolsonaro nos editoriais (11 a 17/12/2019)

 

[1] Para este boletim, consideramos 49 editoriais publicados por Folha de S. Paulo (FSP), O Estado de S. Paulo (OESP) e O Globo.

[2] Outros cinco temas ficaram fora do ranking, mas foram abordados por dois jornais cada na última semana: saúde pública (OESP e FSP); COP 25 (OESP e FSP) e saneamento básico (novo marco regulatório) (FSP e O Globo).

[3] Qual brexit? FSP, 11/12/2019

[4] Relatório de danos, FSP, 14/12/2019.

[5] Brexit done, OESP, 15/12/2019.

[6] Riscos do Brexit podem ser maiores sob liderança de Boris Jonhson, O Globo, 14/12/2019.

[7] Eleição britânica aponta distorções do voto distrital, O Globo, 17/12/2019.

[8] A necessária distensão, OESP, 11/12/2019.

[9] Chefe novo, fado velho, FSP, 12/12/2019.

[10] Novo presidente argentino acerta ao optar pelo pluralismo nas alianças, O Globo, 12/12/2019.

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