O Manchetômetro é um site de acompanhamento da cobertura da grande mídia sobre temas de economia e política produzido pelo Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (LEMEP). O LEMEP tem registro no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq e é sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O Manchetômetro não tem filiação com partidos ou grupos econômicos.

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DONI # 54 – 04 a 10 de maio de 2024

No DONI semanal, são computadas todas as manchetes, chamadas, artigos de opinião, colunas e editoriais que citaram o Governo Federal, o presidente Lula, ou algum personagem ou instituição do Executivo, nas capas e páginas 2 e 3 dos jornais Folha de S. Paulo, O Globo e Estado de S. Paulo. Nesta semana, foram analisados 111 textos.

Gráfico 1. Cobertura do Governo Federal por jornal (valências)[1]

Em maio, o Estadão continua sendo o jornal com a maior proporção de textos desfavoráveis ao governo, com IV[2] de – 1,43, seguido pela Folha, com – 0,58, e Globo, com IV de – 0,32. O IV total da cobertura total de maio é – 074.


[1] As valências no gráfico estão associadas às posições e ações do presidente ou do Governo Federal em diferentes áreas. Por exemplo, um texto sobre economia com valência negativa para Lula significa que o texto versa sobre economia e que a maneira como o presidente é retratado é negativa ou desfavorável.

[2] O Índice de Viés (IV) é calculado pela fórmula (F-C)/(A+N), na qual “F” é o n° de favoráveis, “C”, o n° de contrárias, “A”, o n° de ambivalentes e “N”, o n° de neutras.

Gráfico 2. Temas mais presentes na cobertura do Governo Federal e de Lula

O destaque da semana foi a repercussão sobre o desastre no Rio Grande do Sul. As publicações priorizaram dois aspectos da tragédia. O primeiro foi a discussão sobre o papel da União na crise. Alguns textos criticam o governo e afirmam que o Executivo federal tinha responsabilidade na situação ao não se preocupar em inserir projetos com compromissos climáticos nas ações do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Além disso, argumentaram que faltava coordenação dos três níveis da administração pública para lidar com a questão ambiental no país.

Outro aspecto abordado foi a presença do presidente e de seus ministros no RS, e as ações anunciadas para apoiar o Governo do Estado. O episódio reverberou positivamente e os jornais pontuaram a importância de o Congresso auxiliar o Executivo na ação para o enfrentamento da calamidade.

O segundo tema discutido foi o próprio Governo Federal e suas crises internas. Os jornais focaram em dois ministros: Rui Costa, ministro da Casa Civil, e Simone Tebet, ministra do Planejamento e Orçamento. Costa teve uma agenda de encontros frequentes com prefeitos baianos que foi duramente criticada. O principal argumento dos jornais era de que enquanto privilegiou reuniões com aliados políticos, o ministro se descuidou da articulação política, principalmente ao observarem a crise envolvendo Executivo e Legislativo.

Por outro lado, Tebet teve sua proposta de desvinculação do salário-mínimo e de benefícios sociais e previdenciários elogiada. Os textos pontuaram que a ministra tem o apoio de Fernando Haddad, ministro da Fazenda, porém enfrenta resistência de Lula e do PT.

Finalmente, o terceiro assunto foi o próprio presidente. Os jornais condenam o que classificaram como “anacronismo de Lula”, e enfatizaram o fato de o petista reproduzir erros dos dois mandatos anteriores. Os artigos avaliam ainda que a crise de popularidade enfrentada pelo presidente seria reflexo do descumprimento de promessas da campanha eleitoral.

Gráfico 3. Cobertura do Governo Federal por tipo de texto[3]

Nesta semana, a imprensa permaneceu crítica ao Governo Federal, mas houve diferenças marcantes em relação à cobertura de períodos anteriores. O Globo foi o menos negativo, reservando seus textos desfavoráveis aos espaços opinativos – editoriais, artigos de opinião e colunas. Já a Folha e o Estadão priorizaram os editoriais para as abordagens negativas. Os dez editoriais negativos do Estadão desta semana mostram a disposição do jornal de retratar o Governo de forma bastante desfavorável. A carga de colunas e chamadas de capa negativas neste jornal paulista também foi forte.

[3] Neste gráfico, vemos mais claramente o posicionamento dos jornais, em seus editoriais e na opinião que apresentam em suas páginas, por meio de colunistas e artigos de convidados.

Gráfico 4. Cobertura do Presidente Lula por jornal

O mês de maio continua a apresentar um comportamento destoante do Estadão, que mantém uma postura de ataque sistemático a Lula, representado aqui por um IV de – 3,12. A Folha mantém o padrão do mês passado, com um IV de – 1,07, enquanto o IV de O Globo alcança – 1,33. O IV total do mês até o momento é de – 1,63.

Gráfico 5. Cobertura do Presidente Lula por tipo de texto

O Estadão se consolida como polo de oposição a Lula, dedicando ao presidente uma cobertura quase totalmente negativa. O número de editoriais negativos na semana chegou a dez textos, e mostra claramente essa disposição. Na Folha, os destaques com menções críticas foram observadas nos artigos de opinião, chamadas de capa e editoriais. Já o Globo concentrou suas chamadas, colunas e editoriais contra Lula.

Em resumo, se por um lado, o Estadão consolidou-se claramente como um jornal de oposição sistemática ao governo Lula 3, permitindo quase nenhum pluralismo de opiniões em suas páginas, os outros dois jornais apresentaram essa semana uma postura de crítica mais moderada, com algum espaço para textos que elogiaram as ações do governo e do presidente diante da tragédia do Rio Grande do Sul.

Para baixar o nosso relatório, clique aqui.

DONI

O De Olho Na Imprensa! (DONI) é um relatório semanal produzido pela equipe do Manchetômetro, que é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e Esfera Pública (LEMEP), do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP), da UERJ.

Utilizamos as metodologias da Análise de Valências e Análise de Enquadramentos para avaliar o posicionamento dos jornais.

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[1] As valências no gráfico estão associadas às posições e ações tomadas pelo presidente ou pelo Governo Federal em relação aos temas. Por exemplo, um texto sobre economia com valência Negativa para Lula significa que o texto versa sobre economia e que a maneira como o presidente nele é tratado é negativa ou desfavorável.

[2] O Índice de Viés (IV) é calculado pela fórmula (F-C)/(A+N), na qual F é o n° de favoráveis, C o n° de contrárias, A o n° de ambivalentes e N o n° de neutras.

[3] Neste gráfico vemos mais claramente o posicionamento dos jornais, em seus editoriais e na opinião que representam em suas páginas, por meio de colunistas e artigos de convidados.

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