O Manchetômetro é um site de acompanhamento da cobertura da grande mídia sobre temas de economia e política produzido pelo Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (LEMEP). O LEMEP tem registro no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq e é sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O Manchetômetro não tem filiação com partidos ou grupos econômicos.

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10 a 16 de fevereiro, 2019

Entre os dias 10 e 16 de fevereiro de 2019, as 158 páginas que monitoramos publicaram 7.336 posts, que geraram 4.956.099 compartilhamentos.
Entre os dias 10 e 16 de fevereiro de 2019, as 158 páginas que monitoramos publicaram 7.336 posts, que geraram 4.956.099 compartilhamentos.

Entre os dias 10 e 16 de fevereiro de 2019, as 158 páginas que monitoramos publicaram 7.336 posts, que geraram 4.956.099 compartilhamentos. As páginas que mais postaram nesta semana foram: UOL (407 posts), Exame (387 posts) e Catraca Livre (385 posts).

Tabela 1: 20 posts mais compartilhados da semana (10/2/2019 a 16/2/2019)[1]

semana 66

Os 20 posts da tabela acima concentram 14% dos compartilhamentos obtidos pelas 158 páginas ao longo do período. Os recursos mais empregados nos posts foram o link (35%) e o vídeo (35%), seguidos por foto (30%).

O assunto mais comentado da semana foi o acidente que levou a óbito o jornalista Ricardo Boechat, lamentado por todos os meios de comunicação e pessoas e canais com posições políticas distintas. Entretanto, o Movimento Brasil Livre (MBL) se aproveitou da situação para defender a Reforma da Previdência a partir de um trecho do programa Canal Livre da TV Bandeirantes, no qual o apresentador criticava os altos gastos da União com as aposentadorias dos funcionários públicos, ou seja, descontextualizando sua fala para defender a reforma que, na verdade, prejudicará muito mais os trabalhadores do setor privado.

A página do MBL foi a que obteve maior volume de compartilhamentos durante o período, conquistando sete posições na lista. Alguns de seus posts reproduziram a resposta do deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) à deputada Gleisi Hoffman (PT-PR). Em seu discurso, Gleisi afirmou que “entre manifestações pornográficas e de plágio explícito, depósitos em contas não explicadas, aos poucos a base do governo vai transformando a política na sua cara: desqualificada e agressiva”, e exigiu uma explicação para o depósito na conta da primeira-dama Michele Bolsonaro. Kim rebateu com acusações pouco embasadas, afirmando que o PT “é corrupto”, criticando a oratória de Dilma Rousseff e associando o partido a movimentos que considera “criminosos”, como o MST, o MTST e o Movimento Passe Livre.

O MBL ainda levantou suspeita sobre “algum” ministro do STF ter pressionado os senadores para que desistissem da CPI Lava-Toga; endossou a fala do atual ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, acusando as ONGs responsáveis pela saúde indígena durante o governo do PT de terem utilizado os aviões do SUS para traficar drogas; parabenizou o ministro Sergio Moro por ter endurecido as regras dos presídios de segurança máxima; e defendeu Jair Bolsonaro no que diz respeito ao Decreto 9.669-19, que remanejou a verba dos ministérios antigos e não da previdência, como circulou na rede, para os novos ministérios.

O presidente Jair Bolsonaro emplacou quatro posts no ranking. Inicialmente, Bolsonaro dizia por vídeo gravado no hospital que estava se recuperando e que esperava que a Polícia Federal apresentasse o nome do mandante da sua tentativa de homicídio. O segundo post consistiu numa foto do dia que recebeu alta. No terceiro post, Bolsonaro informou que todas as vagas do Programa Mais Médicos foram preenchidas e aproveitou para atacar o governo cubano e o governo do PT. No último post, Bolsonaro veiculou matéria do SBT sobre as mudanças na Lei Rouanet.

Outros assuntos que tiveram significativa repercussão ao longo da semana foram o projeto de lei que autoriza mulheres a usar spray de pimenta e arma de choque, do deputado Eduardo da Fonte (PP-PE); o estrangulamento do jovem negro pelo segurança do supermercado Extra no Rio de Janeiro; os poucos privilégios desfrutados pelos parlamentares suecos, corroborando o discurso do Estado mínimo; e a crítica ao presidente da Vale do Rio Doce, Fabio Schvartsman, dada sua atitude insensível e irresponsável perante as vítimas do rompimento da barragem de Brumadinho (MG).

Em resumo, apesar das páginas da grande imprensa estarem alavancando seus posts no início de 2019, as páginas da extrema-direita seguem liderando os compartilhamentos no Facebook. Como fez durante sua campanha, o presidente Jair Bolsonaro continua a utilizar a rede como principal canal de comunicação com a população, atitude inédita entre os presidentes da República. Enquanto isso, o MBL, que apoia o governo, mantém postura mais agressiva e ataca a oposição, utilizando-se, muitas vezes, de informações parciais e fake news. E assim segue o primeiro governo das mídias sociais: superficial e espetaculoísta.

[1] Tendo em vista nossos propósitos, foram excluídos desta tabela um post da Record TV, um post do R7, um post do G1 e um post de Adilson Barroso, por não tratarem de política.

Por Natasha Bachini e João Feres Jr.

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