O Manchetômetro é um site de acompanhamento da cobertura da grande mídia sobre temas de economia e política produzido pelo Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (LEMEP). O LEMEP tem registro no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq e é sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O Manchetômetro não tem filiação com partidos ou grupos econômicos.

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DONI # 14 – 1 a 7 de julho de 2023

No DONI semanal são computadas todas as manchetes, chamadas, artigos de opinião, colunas e editoriais que citaram o Governo Federal, o presidente, ou algum personagem ou Instituição do Governo Federal, nas capas e páginas 2 e 3 dos jornais Folha de S. Paulo, O Globo e Estado de S. Paulo. Esta semana foram analisados 91 textos.

Gráfico 1. Cobertura do Governo Federal por jornal

Essa semana, Estadão e Globo apresentaram um aumento na cobertura sobre o Governo Federal, e ela tornou-se mais negativa, inclusive. A Folha por sua vez, não apresentou alterações significativas no tamanho da cobertura, apesar de ter reduzido o número de textos contrários que vimos nas semanas anteriores.

Calculando o Índice de Viés (IV) segundo a fórmula (F-C)/(A+N), na qual F é o n° de favoráveis, C o n° de contrárias, A o n° de ambivalentes e N o n° de neutras, o Estadão lidera o IV com -0,31, seguido pelo Globo com -0,23 e a Folha com um IV de -0,12.

Gráfico 2. Temas mais presentes na cobertura do Governo Federal

As valências no gráfico estão associadas às posições e ações tomadas pelo presidente ou pelo Governo Federal em relação aos temas. Por exemplo, um texto sobre economia com valência Negativa para Lula significa que o texto versa sobre economia e que a maneira como o presidente nele é tratado é negativa ou desfavorável.

As relações entre o Executivo e o Legislativo continuaram sendo um tema de destaque ao longo da semana, principalmente devido à votação da Reforma Tributária, que foi o ponto central dos debates. Além disso, as discussões sobre a possibilidade de mudanças de ministros para acomodar aliados do Centrão também estiveram presentes. Houve menção à manutenção de Nísia Trindade no Ministério da Saúde, e a posição inflexível de Lula em relação a isso, bem como à saída de Daniella Carneiro do Ministério do Turismo. A retomada do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC 3, também foi abordada pelos jornais, com uma cobertura dividida: alguns veículos elogiavam a aproximação com empresas privadas, enquanto outros criticavam a reativação de um programa do passado.

Gráfico 3. Cobertura do Governo Federal por tipo de texto

Neste gráfico vemos mais claramente o posicionamento dos jornais, em seus editoriais e na opinião que representam em suas páginas, por meio de colunistas e artigos de convidados.

Nos três jornais, as chamadas foram o principal tipo de texto utilizado para fazer referência ao Governo Federal. No Globo, foram publicados editoriais e artigos de opinião que se mostraram contrários ao Governo. Na Folha, os editoriais foram em sua maioria também negativos e no Estadão em sua totalidade. Nota-se que apesar do noticiário não ter sido em si muito negativo, vide as chamadas, os editoriais continuaram manifestando postura dos meios contrária ao governo.

Gráfico 4. Enquadramentos mais presentes na cobertura do Governo Federal

Os enquadramentos dizem respeito ao modo como a mídia trata os diversos temas apresentados, associando a eles argumentos e narrativas, para além da pura negatividade ou positividade capturada pelas valências.

Dos quatro enquadramentos, três abordam a relação entre o Governo Federal e o Legislativo, sendo que dois deles tratam diretamente da Reforma Tributária. A decisão do governo de se manter firme e defender a permanência de Nísia Trindade à frente do Ministério da Saúde foi vista como um fato positivo, por não ceder ao Centrão. Por outro lado, o presidente foi criticado esta semana por não ter liderado negociações sobre a reforma tributária. Em contraste, a atuação de Arthur Lira liderando o Congresso e garantindo os votos necessários, em colaboração com Fernando Haddad, foi elogiada pelos jornais. Apesar dos elogios ao ministro Haddad, os periódicos apresentaram críticas à articulação política do Governo, afirmando que este não tem soluções para as demandas do Legislativo, resultando em dificuldades na implementação da agenda e na necessidade de negociações constantes.

Gráfico 5. Cobertura do Presidente Lula por jornal

Calculando o Índice de Viés segundo a fórmula (F-C)/(A+N), na qual F é o n° de favoráveis, C o n° de contrárias, A o n° de ambivalentes e N o n° de neutras, temos o Estadão na liderança da negatividade, com – 0,82, seguido pelo Globo com -0,69, e a Folha com –0,38. Também é importante destacar que, tal qual a cobertura do Governo Federal, a cobertura de Lula cresceu no Estadão e no Globo. Já na Folha observamos uma redução na presença do presidente. O presidente continua sofrendo um tratamento significativamente mais negativo que seu governo.

Gráfico 6. Temas mais presentes na cobertura do Presidente Lula

Tal como na semana passada, a declaração de Lula sobre a Venezuela continuou sendo tema de destaque nos jornais, com duras críticas ao presidente. Lula foi alvo de críticas por mencionar a “Democracia relativa” e, durante a reunião do Mercosul, a mídia aproveitou para destacar as críticas de países como Uruguai e Chile ao apoio brasileiro a Maduro. No entanto, assim como no caso do Governo Federal, a Reforma Tributária foi o assunto mais presente na cobertura do presidente. Diferentemente do Governo Federal, Lula foi criticado por não estar presente nas negociações, embora tenha aprovado a liberação de verbas para aliados. Seu posicionamento firme em relação à manutenção de Nísia Trindade à frente do Ministério da Saúde foi elogiado pelos jornais.

Gráfico 7. Cobertura do Presidente Lula por tipo de texto

Esta semana, foram publicadas pouquíssimas manchetes mencionando o presidente, apenas três, duas na Folha e uma no Globo. Estadão, Folha e Globo apresentaram a maioria dos textos negativos em seus editoriais. O jornal carioca também dedicou a Lula chamadas negativas.

Gráfico 8. Enquadramentos mais presentes na cobertura do Presidente Lula

Para além dos enquadramentos que já apresentamos, durante a última semana, os jornais discutiram as eleições de 2026. As articulações para a votação da reforma tributária aproximaram o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Tarcísio, ex-ministro de Jair Bolsonaro, demonstrou-se favorável à proposta de reforma do governo e, por isso, foi duramente criticado pelos aliados do ex-presidente, que se posicionavam contrários à reforma. Os jornais apontaram que esse processo resultou em um impasse sobre quem seria o adversário de Lula na reeleição de 2026, considerada atualmente pelos jornais como uma possibilidade.

Análise da Semana

Os jornais desta semana reverteram a redução na cobertura que apresentavam nas últimas semanas e retomaram o aumento dos textos que mencionam o Governo e Lula em suas páginas, abordando uma agenda de assuntos modificada. Em destaque, tivemos as relações entre o governo e o Legislativo, bem como as declarações de Lula sobre a Venezuela.

Durante a semana, houve uma cobertura intensa sobre a reforma tributária, que influenciou vários tópicos. Inicialmente, os jornais se posicionaram a favor da votação do pacote da reforma. Apesar de reconhecerem problemas no texto do relator, a mídia defendeu que era essencial chegar a um consenso para que a votação ocorresse. Nesse sentido, as figuras de Haddad, Lira, Tarcísio e Tebet foram elogiadas por trabalharem para garantir a articulação e o apoio necessários para a aprovação da reforma tributária no Congresso. Por outro lado, tanto Lula, que não teria atuado diretamente a favor da reforma, quanto Bolsonaro, que se posicionou contra a “Reforma do PT”, foram criticados pelos jornais.

Além disso, é importante ressaltar que a fala de Lula sobre a Venezuela, mesmo uma semana depois, continuou presente nas páginas dos jornais. Os argumentos que criticam a menção a uma “democracia relativa” foram retomados esta semana, quando o presidente assumiu a Presidência do Mercosul e destacou a importância de apoiar o país vizinho.

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DONI

O De Olho Na Imprensa! (DONI) é um relatório semanal produzido pela equipe do Manchetômetro, que é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e Esfera Pública (LEMEP), do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP), da UERJ.

Utilizamos as metodologias da Análise de Valências e Análise de Enquadramentos para avaliar o posicionamento dos jornais.

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