O Manchetômetro é um site de acompanhamento da cobertura da grande mídia sobre temas de economia e política produzido pelo Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (LEMEP). O LEMEP tem registro no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq e é sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O Manchetômetro não tem filiação com partidos ou grupos econômicos.

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Vaza Jato nos jornais – 22 de junho

Por Eduardo Barbabela, Juliana Gagliardi e João Feres Jr.

Marcelo Camargo Agencia Brasil
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, participa de audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

 

dia13

Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

O décimo-terceiro dia da cobertura de Vaza Jato é marcado pelo posicionamento da procuradora geral Raquel Dodge contrário ao pedido da defesa de Lula de anular a sentença proferida por Sérgio Moro. Com 16 novos textos sobre o tema, o dia 22 de junho fica abaixo da média da série, que é de 24,2 textos por dia.

Estadão

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Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

O Estadão mais uma vez apresenta uma cobertura bastante tímida, com apenas três textos sobre a Vaza Jato, dois contrários a Intercept e um crítico a Moro. Destaque é dado a Dodge, que declara haver fundadas dúvidas jurídicas sobre as mensagens vazadas para defender a não anulação da sentença de Moro. Outro texto de opinião reproduz fala do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, que afirma ser o “ataque” uma estratégia do Foro de São Paulo contra o governo. Por fim, um artigo coluna de Marco Aurélio Nogueira declara que as mensagens revelam procedimentos estranhos da Operação Lava Jato, com conversas no mínimo constrangedoras entre Moro e Dallagnol.

Globo

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Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

O jornal O Globo traz 6 textos que fazem referência ao escândalo na edição do dia 22 de junho, quatro deles críticas ao Intercept. Em seu artigo, Merval Pereira aponta que não há como o STF tomar uma decisão definitiva sobre a nulidade ou não do caso de Lula, principalmente pela ilegalidade na obtenção das mensagens, além do fato de não ser evidente se elas revelam qualquer transgressão. Em outro artigo, Marcelo Trindade defende que, mesmo que tenha sido hackeado, Sérgio Moro não pode se proteger quanto a seus erros a na invasão de sua privacidade. Trindade aponta que a equidistância dos juízes é essencial para manter a reputação do sistema jurídico. Além de reportagem que explora a posição de Raquel Dodge contra a nulidade da sentença de Lula, há também uma reportagem que corrige matéria do dia anterior que havia reproduzido a denúncia do Intercept de que Moro teria pedido a troca de uma procurada na arguição de Lula. Na nova reportagem, o jornal afirma que apenas há críticas à procuradora Laura Tessler e não o pedido de substituição.

Folha de São Paulo

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Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

A Folha de São Paulo cita o escândalo em sete oportunidades em sua cobertura. Fabio Fabrini alfineta a decisão de Sergio Moro de poupar FHC de investigações do Ministério Público. Fernando Haddad também critica Moro em seu artigo, questionando a ação direta de inconstitucionalidade requerida pela ANJ contra o Intercept por ser um site com maior percentual de recursos nas mãos de estrangeiros. Há também o entendimento por parte de parlamentares da base aliada de que a promessa de Moro de sair do Ministério em caso de novos vazamentos, o tornaria refém dos próximos capítulos do escândalo. Em outro artigo, Roberto Simon argumenta que os vazamentos demonstram que a mitificação da Lava Jato trouxe custos institucionais ao país.

Jornal Nacional

Na edição do Jornal Nacional de ontem (21/6), foi exibida uma matéria (3m48s) sobre a Vaza Jato. Mais uma vez, o telejornal atribuiu o vazamento, ocorrido na quinta-feira, de novo trecho de conversas entre o então juiz Sergio Moro e integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato, exclusivamente ao Intercept.
A partir da chamada “Força-tarefa repudia divulgação de novos diálogos atribuídos a procuradores”, a matéria informa trechos do “suposto” diálogo e diz que, segundo interpretação do Intercept, os trechos mostrariam que Moro teria violado regras éticas. O telejornal reproduz trechos da nota emitida pela força-tarefa, chamando de notícia falsa a conclusão atribuída ao Intercept. Logo em seguida, cita a nota de Moro, reproduzindo mais uma vez trecho já ressaltado em edições anteriores, no qual o ex-juiz argumenta que a autenticidade não pode ser conferida e que mesmo se fosse autêntico, o trecho não mostraria conduta antiética.
Mais uma vez, o JN concede farto tempo para divulgar a defesa da Operação Lava Jato, sem sequer citar Reinaldo Azevedo, jornalista deu o furo. Em suma, o jornal continua suprimindo as críticas às ações de Moro e dos procuradores de Curitiba, por mais que as evidências de sua irregularidade continuam a se multiplicar.

Conclusão

O padrão que se torna cada vez mais claro na cobertua da Vaza Jato é um protagonismo crítico da Folha de S. Paulo, um certo distanciamento do Estadão, e uma defesa cerrada de Moro de da Lava Jato por parte dos dois meios do Grupo Globo. Caso o acordo entre o Intercept e a Folha de fato seja fechado, é possível que essas tendências de consolidem ou mesmo se radicalizem. Os próximos fatos dirão.

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