DONI # 99 – 15 a 21 de Março de 2025
No DONI semanal, são examinados os textos que citam o governo federal, o presidente Lula ou algum personagem ou instituição do Executivo, publicados nos jornais O Globo, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo. A análise abrange manchetes, chamadas de capa, artigos de opinião, colunas e editoriais[1].
[1] Páginas 2, 3 e 4, da Folha de S.Paulo, e páginas 2 e 3, dos jornais O Globo e Estado de S.Paulo.
PRINCIPAIS DESCOBERTAS
Imposto de Renda: Os jornais elogiaram a proposta do governo que amplia isenção do IR. A medida é defendida como uma forma de reduzir as desigualdades no sistema tributário atual. Mas, a imprensa interpreta o projeto como uma estratégia para recuperar a popularidade do presidente.
Fala, ministra!: As notícias destacaram as críticas de Simone Tebet ao arcabouço fiscal, prevendo dificuldades para o próximo governo. A imprensa argumenta que Lula não resolveu problemas do governo e transferiu a questão para o próximo mandato.
Posicionamento Editorial: Os principais jornais brasileiros apresentaram uma redução na cobertura negativa. Essa semana o Estadão liderou o ranking de cobertura mais desfavorável tanto em relação ao governo quanto ao presidente.
Gráfico 1. Cobertura do Governo Federal por jornal (valências)[2]

A segunda metade do mês de março inicia-se com uma redução na cobertura negativa contra o governo. O Estadão retoma a posição como jornal mais negativo, com IV[3] de – 1,34, seguido pela Folha, com – 1,26, e pelo Globo, com – 1,15. O IV de março até o momento é de – 1,25.
[2] As valências no gráfico estão associadas às posições e ações do presidente ou do Governo Federal em diferentes áreas. Por exemplo, um texto sobre economia com valência negativa para Lula significa que o texto versa sobre economia e que a maneira como o presidente é retratado é negativa ou desfavorável.
[3] O Índice de Viés (IV) é calculado pela fórmula (F-C)/(A+N), na qual “F” é o n° de favoráveis, “C”, o n° de contrárias, “A”, o n° de ambivalentes e “N”, o n° de neutras.
Gráfico 2. Temas mais presentes na cobertura do Governo Federal e de Lula

Nesta semana, a proposta do governo de reformulação da cobrança do Imposto de Renda dominou a cobertura. Os jornais reconhecem a iniciativa como um possível avanço para tornar o sistema tributário mais justo. No entanto, ressaltam que a medida tem caráter eleitoreiro, com o objetivo de recuperar a popularidade de Lula, e destacam o desafio do governo em superar a resistência do Congresso à taxação dos mais ricos.
O gráfico 2 evidencia que, embora a cobertura sobre proposta de desconto no IR tenha rendido uma abordagem neutra em algumas peças dos periódicos quanto ao governo, a imprensa reforçou que a notícia também gera preocupações quanto à renúncia fiscal, contas públicas e dificuldades de negociação no Legislativo. Já no tratamento dispensado ao presidente sobre o mesmo tema, observa-se um tom mais crítico, sempre lembrando a repercussão da queda sua aprovação.
O segundo tema mais abordado foi o funcionamento do governo. Os jornais discutem a ampliação dos gastos da Secretaria de Comunicação (SECOM) com propaganda para o governo. Além disso, exploram a investigação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre a nomeação de três ministros para ocupar de cargos em conselho de uma empresa privada. Para os jornais, a nomeação de Anielle Franco, Carlos Lupi e Vinicius Carvalho no conselho da Tupy, do ramo de metalurgia, deveria ter sido analisado pela Comissão de Ética da Presidência.
A política fiscal foi o terceiro tema em destaque da semana. Ganhou repercussão a declaração da ministra Simone Tebet (Planejamento), que criticou as regras fiscais vigentes. Para Tebet, as normas limitarão a atuação do próximo governo e sugerem que o presidente Lula não foi capaz de definir uma direção clara a política fiscal atual.
Gráfico 3. Cobertura do Governo Federal por tipo de texto[4]

Nesta semana, o Estadão continuou a apresentar posicionamento negativo prioritariamente nos editoriais, foram sete edições, no total. O Globo distribuiu chamadas, editoriais e colunas contrárias ao governo, com duas edições cada. Já na Folha, as chamadas foram as mais desfavoráveis, concentrando quatro textos.
[4] Neste gráfico, vemos mais claramente o posicionamento dos jornais, em seus editoriais e na seção de opinião, por meio de colunistas e artigos de convidados.
Gráfico 4. Cobertura do Presidente Lula por jornal

Na segunda parte do mês, a imprensa também reduz a cobertura desfavorável para Lula. O Estadão é o veículo mais contrário ao presidente, com IV de – 2,08, seguido pelo Globo, com – 1,12, e pela Folha, com – 1,00. O IV de março até o momento é foi de – 1,34.
Gráfico 5. Cobertura do Presidente Lula por tipo de texto

O Estadão concentrou suas críticas ao presidente nos editoriais, com sete textos contrários. A Folha e O Globo, por sua vez, priorizaram as chamadas negativas a Lula, com sete e cinco, respectivamente.
Em resumo, a análise dos textos temáticos dos jornais brasileiros sobre o governo Lula revela uma abordagem predominantemente crítica, com destaque para o Estadão e a Folha. Contudo, a cobertura negativa parece ter momentaneamente arrefecido na segunda metade do mês de março.
As três publicações exploraram a proposta do governo de alterações no IR como uma medida com potencial para reduzir das desigualdades no sistema tributário, mas também como uma estratégia eleitoreira para recuperar a popularidade do presidente. Esse aspecto se conecta diretamente ao aumento de gastos da SECOM com propaganda. Além disso, a preocupação com a responsabilidade fiscal ganhou fôlego após a declaração de Simone Tebet, que apontou o atual arcabouço fiscal como obstáculo para o próximo governo. Os jornais aproveitaram a fala da ministra para reforçar críticas a Lula, destacando a falta de soluções para a crise fiscal em sua gestão.
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DONI
O De Olho Na Imprensa! (DONI) é um relatório semanal produzido pela equipe do Manchetômetro, que é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e Esfera Pública (LEMEP), do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ).
Utilizamos as metodologias da Análise de Valências e Análise de Enquadramentos para avaliar o posicionamento dos jornais.
Apoio:
[1] As valências no gráfico estão associadas às posições e ações tomadas pelo presidente ou pelo Governo Federal em relação aos temas. Por exemplo, um texto sobre economia com valência Negativa para Lula significa que o texto versa sobre economia e que a maneira como o presidente nele é tratado é negativa ou desfavorável.
[2] O Índice de Viés (IV) é calculado pela fórmula (F-C)/(A+N), na qual F é o n° de favoráveis, C o n° de contrárias, A o n° de ambivalentes e N o n° de neutras.
[3] Neste gráfico vemos mais claramente o posicionamento dos jornais, em seus editoriais e na opinião que representam em suas páginas, por meio de colunistas e artigos de convidados.