DONI # 123 – 30 de Agosto a 05 de Setembro de 2025
No DONI semanal, são examinados os textos que citam o governo federal, o presidente Lula ou algum personagem ou instituição do Executivo, publicados nos jornais O Globo, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo. A análise abrange manchetes, chamadas de capa, artigos de opinião, colunas e editoriais [1].
[1] Páginas 2, 3 e 4, da Folha de S.Paulo, e páginas 2 e 3, dos jornais O Globo e Estado de S.Paulo.
PRINCIPAIS DESCOBERTAS
Federação União Brasil e PP: Os jornais criticam a estratégia da federação em anunciar a saída da base do governo no Congresso, ao mesmo tempo que tentam manter cargos e ministérios.
Política Fiscal: A imprensa repercute o aumento da Selic, que freia os investimentos no país. Os gastos públicos são novamente culpados pelo fato.
Posicionamento Editorial: O Estadão se mantém como o veículo mais crítico a Lula e ao governo federal.
Gráfico 1. Cobertura do Governo Federal por jornal (valências)[2]

Agosto termina com o Estadão no topo do ranking como o jornal mais desfavorável, com IV3 de – 1,04, seguido pela Folha, com –1,02, e pelo Globo, com – 0,38. O IV de agosto foi – 0,76, o menor desde novembro de 2024. Setembro começa também com o Estadão no topo, com IV – 1,40, seguido pela Folha, com – 0,57. O Globo, por sua vez, apresenta IV positivo, 0,25 uma raridade em nossa série histórica: a última vez que tivemos IV positivo foi em janeiro de 2023. O IV de setembro, até o momento, é de – 0,62.
[1] Páginas 2, 3 e 4, da Folha de S.Paulo, e páginas 2 e 3, dos jornais O Globo e Estado de S.Paulo.
[2] As valências no gráfico estão associadas às posições e ações do presidente ou do Governo Federal em diferentes áreas. Por exemplo, um texto sobre economia com valência negativa para Lula significa que o texto versa sobre economia e que a maneira como o presidente é retratado é negativa ou desfavorável.
[3] O Índice de Viés (IV) é calculado pela fórmula (F-C)/(A+N), na qual “F” é o n° de favoráveis, “C”, o n° de contrárias, “A”, o n° de ambivalentes e “N”, o n° de neutras.
Gráfico 2. Temas mais presentes na cobertura do Governo Federal e de Lula

Nesta semana, o destaque foi a política fiscal. O aumento da Selic tem freado o consumo e os investimentos no país, enquanto, na avaliação dos jornais, o governo não reduz os gastos públicos, o que amplia a pressão sobre a inflação. A imprensa critica o governo Lula, sustentando que ele prioriza as narrativas políticas em detrimento a soluções técnicas para os problemas da economia.
O segundo tema mais abordado foi a segurança pública. A operação de investigação do PCC e a disputa pela repercussão permanecem no centro da cobertura, mas os jornais ressaltam que a cooperação entre os dois poderes foi fundamental para o êxito da iniciativa.
Por fim, o terceiro tópico de maior repercussão foram as movimentações no Legislativo. O principal assunto foi a formalização do desembarque da Federação União-PP. Os jornais criticam a federação por querer sair do governo sem abrir mão de cargos e nomeações políticas. Os jornais alertam que a movimentação sinaliza o início da campanha eleitoral.
Gráfico 3. Cobertura do Governo Federal por tipo de texto[4]

No período analisado, o Estadão priorizou posicionamento negativo nos editoriais, com cinco edições. A Folha apresentou editoriais desfavoráveis, com dois textos. Já o Globo registra dois editoriais contrários e dois positivos.
[4] Neste gráfico, vemos mais claramente o posicionamento dos jornais, em seus editoriais e na seção de opinião, por meio de colunistas e artigos de convidados.
Gráfico 4. Cobertura do Presidente Lula por jornal

Agosto termina com o Estadão como jornal mais crítico a Lula, com IV de – 1,23, seguido pela Folha, com – 1,11, e o Globo, com -0,38. O IV de agosto foi de – 0,84. Setembro começa com a mesma composição: Estadão como o mais negativo a Lula, – 1,75, seguido pela Folha, com -0,62, e o Globo, com 0,00. O IV de setembro até o momento é de – 0,63.
Gráfico 5. Cobertura do Presidente Lula por tipo de texto

O Estadão focou as críticas ao presidente nos editoriais — com sete textos contrários. O Globo, de maneira mais branda, apresentou posicionamento desfavorável a Lula mormente em editoriais, com duas publicações negativas. Na Folha, as chamadas se sobressaíram, com três publicações desfavoráveis ao presidente.
Esta semana, a imprensa discute a decisão da federação União-PP de sair do governo. Os jornais alertam para a contradição embutida no projeto, que pretende se afastar da base governista no Congresso, mas sem renunciar aos ministérios e cargos. Mantendo-se fiéis ao seu bordão mais frequente, as publicações também criticam o governo federal pelo suposto elevado nível do gasto público e apontam que, somado ao aumento da taxa Selic, esses fatores intensificam a pressão inflacionária. Por fim, os periódicos mantiveram em pauta a operação contra o PCC e a disputa política em torno da autoria da investigação.
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DONI
O De Olho Na Imprensa! (DONI) é um relatório semanal produzido pela equipe do Manchetômetro, que é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e Esfera Pública (LEMEP), do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ).
Utilizamos as metodologias da Análise de Valências e Análise de Enquadramentos para avaliar o posicionamento dos jornais.
Expediente:
Natália Paiva – Coleta e codificação de dados
Eduardo Barbabela – Revisão de dados, análise e redação
Pollyanna Brêtas – Redação e revisão
João Feres Junior – Revisão, redação e análise
André Madruga – Divulgação
Lidiane Vieira – Divulgação
[1] As valências no gráfico estão associadas às posições e ações tomadas pelo presidente ou pelo Governo Federal em relação aos temas. Por exemplo, um texto sobre economia com valência Negativa para Lula significa que o texto versa sobre economia e que a maneira como o presidente nele é tratado é negativa ou desfavorável.
[2] O Índice de Viés (IV) é calculado pela fórmula (F-C)/(A+N), na qual F é o n° de favoráveis, C o n° de contrárias, A o n° de ambivalentes e N o n° de neutras.
[3] Neste gráfico vemos mais claramente o posicionamento dos jornais, em seus editoriais e na opinião que representam em suas páginas, por meio de colunistas e artigos de convidados.
