O Manchetômetro é um site de acompanhamento da cobertura da grande mídia sobre temas de economia e política produzido pelo Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (LEMEP). O LEMEP tem registro no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq e é sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O Manchetômetro não tem filiação com partidos ou grupos econômicos.

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DONI # 134 – 15 a 21 de Novembro de 2025

No DONI semanal, são examinados os textos que citam o governo federal, o presidente Lula ou algum personagem ou instituição do Executivo, publicados nos jornais O Globo, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo. A análise abrange manchetes, chamadas de capa, artigos de opinião, colunas e editoriais [1].


[1] Páginas 2, 3 e 4, da Folha de S.Paulo, e páginas 2 e 3, dos jornais O Globo e Estado de S.Paulo.

PRINCIPAIS DESCOBERTAS

Segurança Pública: O PL Antifacção foi o tema central da semana. Segundo os jornais, embora o governo tenha reivindicado a autoria do projeto, a versão apresentada por Derrite já não guarda traços relevantes da proposta originalmente encaminhada pelo Executivo.

ENEM: A imprensa ataca o MEC pelos possíveis vazamentos de questões das provas e reforça a necessidade de mudar procedimentos para assegurar a lisura do concurso.

Posicionamento Editorial: O Estadão se apresenta como o veículo mais crítico ao governo federal e a Lula.

Gráfico 1. Cobertura do Governo Federal por jornal (valências)[2]

Em novembro, Estadão ocupa o topo do ranking como o jornal mais desfavorável, com IV[3] de – 1,18, seguido pela Folha, com –0,68, e pelo Globo, com – 0,47. O IV de novembro até o momento é de – 0,98.

[1] Páginas 2, 3 e 4, da Folha de S.Paulo, e páginas 2 e 3, dos jornais O Globo e Estado de S.Paulo.

[2] As valências no gráfico estão associadas às posições e ações do presidente ou do Governo Federal em diferentes áreas. Por exemplo, um texto sobre economia com valência negativa para Lula significa que o texto versa sobre economia e que a maneira como o presidente é retratado é negativa ou desfavorável.

[3] O Índice de Viés (IV) é calculado pela fórmula (F-C)/(A+N), na qual “F” é o n° de favoráveis, “C”, o n° de contrárias, “A”, o n° de ambivalentes e “N”, o n° de neutras.

Gráfico 2. Temas mais presentes na cobertura do Governo Federal e de Lula

Nesta semana, a discussão sobre a segurança pública continuou como o principal assunto. Os jornais seguiram com as críticas ao projeto, reiterando que a proposta não ataca o problema. Para a imprensa, contudo, o PL apresentado, ao contrário do que afirma o governo, avançaria em um tema sensível para a população. Os veículos observam que, apesar da disputa pela paternidade do projeto, o texto já não preserva as características da versão do Executivo.
O Enem entrou na pauta devido às suspeitas de vazamentos de questões. Os jornais destacam tanto a possibilidade de divulgação antecipada quanto a anulação de questões pelo MEC, apontando a necessidade de revisão dos procedimentos.
O terceiro tema mais abordado foi a política fiscal. As análises reforçam as críticas ao que classificam como falta de compromisso do governo com equilíbrio das contas públicas. Ainda assim, eles mencionam que o Executivo dispõe de mais de 24 bilhões para conter gastos.
Os três temas da semana — segurança pública, Enem e política fiscal — reverberaram na avaliação do governo federal, mas apenas a segurança pública foi diretamente associada a Lula pelos três jornais. No caso do Enem, somente a Folha vinculou o episódio ao presidente, enquanto Globo e Estadão concentraram críticas no MEC. Já na política fiscal, embora o governo tenha sido alvo de questionamentos, O Globo não mencionou Lula.

Gráfico 3. Cobertura do Governo Federal por tipo de texto[4]

O gráfico evidencia um predomínio claro de enquadramentos negativos nos três jornais, mas com intensidades distintas. O Estadão se destaca pela ênfase sistemática em editoriais críticos, acumulando nove textos. A Folha, embora menos enfática em editoriais, apresenta cinco chamadas desfavoráveis, o que reforça uma postura crítica distribuída mais no noticiário do que na opinião institucional. O Globo, por sua vez, combina editoriais e chamadas negativas, totalizando sete manifestações críticas, revelando um padrão híbrido de enquadramento.

[4] Neste gráfico, vemos mais claramente o posicionamento dos jornais, em seus editoriais e na seção de opinião, por meio de colunistas e artigos de convidados.

Gráfico 4. Cobertura do Presidente Lula por jornal

Em novembro, o Estadão continua como o jornal mais negativo na cobertura de Lula, com IV de – 1,46, seguido pela Folha, com – 1,08, e O Globo, com -0,83. O IV de novembro até o momento é de – 1,11.

Gráfico 5. Cobertura do Presidente Lula por tipo de texto

No conjunto, o gráfico revela que os três veículos mantêm uma linha predominantemente crítica em relação a Lula, mas com intensidades e estilos próprios. No Estadão, temos novamente a maior concentração de avaliações negativas, sobretudo por meio de editoriais — o que indica uma postura institucional firme de oposição ao governo. Além dos editoriais, aparecem chamadas negativas e algumas opiniões desfavoráveis, compondo um ambiente discursivo amplamente crítico. A Folha apresenta um padrão mais distribuído: há número expressivo de chamadas negativas, acompanhadas por opiniões críticas, mas também surgem alguns textos positivos ou neutros, ainda que em proporção reduzida. No Globo há forte presença de chamadas negativas e opiniões críticas, mas também alguns textos neutros e positivas, indicando que o jornal incorpora críticas ao presidente, porém com certo cuidado em modular o enquadramento. A presença de poucas avaliações neutras ou favoráveis sugere que, embora o Globo não adote a contundência editorial do Estadão, a tendência geral permanece crítica.
No agregado, o gráfico indica que Lula enfrenta predominância de enquadramentos negativos nos três jornais, embora por vias distintas: o Estadão concentra o ataque em editoriais, a Folha dispersa a crítica pelo noticiário, e O Globo combina ambas as estratégias, com menor intensidade.
Nesta semana, as três principais publicações investiram nos desdobramentos da discussão sobre o PL Antifacção, distribuindo críticas ao governo e lançando elogios ao texto. As edições também repercutiram as suspeitas de vazamento do Enem, e cobraram mudanças em protocolos do MEC. Por fim, a política fiscal permanece como uma preocupação central das publicações, que insistem na falta de compromisso do governo com o equilíbrio das contas públicas, desta vez destacando, porém, que o Executivo possui reservas para arcar com eventuais gastos.

Para baixar o nosso relatório, clique aqui.

DONI

O De Olho Na Imprensa! (DONI) é um relatório semanal produzido pela equipe do Manchetômetro, que é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e Esfera Pública (LEMEP), do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ).

Utilizamos as metodologias da Análise de Valências e Análise de Enquadramentos para avaliar o posicionamento dos jornais.

Expediente:

Natália Paiva – Coleta e codificação de dados

Eduardo Barbabela – Revisão de dados, análise e redação

Pollyanna Brêtas – Redação e revisão

João Feres Junior – Revisão, redação e análise

André Madruga – Divulgação

Lidiane Vieira – Divulgação


[1] As valências no gráfico estão associadas às posições e ações tomadas pelo presidente ou pelo Governo Federal em relação aos temas. Por exemplo, um texto sobre economia com valência Negativa para Lula significa que o texto versa sobre economia e que a maneira como o presidente nele é tratado é negativa ou desfavorável.

[2] O Índice de Viés (IV) é calculado pela fórmula (F-C)/(A+N), na qual F é o n° de favoráveis, C o n° de contrárias, A o n° de ambivalentes e N o n° de neutras.

[3] Neste gráfico vemos mais claramente o posicionamento dos jornais, em seus editoriais e na opinião que representam em suas páginas, por meio de colunistas e artigos de convidados.

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Criado em 2014, o Manchetômetro (IESP-UERJ) é o único site de monitoramento contínuo da grande mídia brasileira. As pesquisas do Manchetômetro são realizadas por uma equipe com alto grau de treinamento acadêmico e profissional.

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