DONI # 140 – 01 a 13 de Março de 2026
No DONI, são examinados os textos que citam o governo federal, o presidente Lula ou algum personagem ou instituição do Executivo, publicados nos jornais O Globo, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo. A análise abrange manchetes, chamadas de capa, artigos de opinião, colunas e editoriais [1].
[1] Páginas 2, 3 e 4, da Folha de S.Paulo, e páginas 2 e 3, dos jornais O Globo e Estado de S.Paulo.
PRINCIPAIS DESCOBERTAS
Eleições 2026: Pesquisas de opinião repercutidas nos jornais indicam uma disputa acirrada pela presidência. Os dados mostram Lula em tendência de queda e Flávio Bolsonaro em ascensão, sugerindo um cenário eleitoral competitivo.
Política Fiscal: A imprensa destaca como péssimo o resultado do PIB em 2025. Para os jornais, embora esperado, o resultado foi ruim.
Posicionamento Editorial: O Estadão se apresenta como o veículo com cobertura mais negativa em relação ao governo federal e a Lula.
Gráfico 1. Cobertura do Governo Federal por jornal (valências)[2]

O mês de março começa com o Estadão como o mais desfavorável, com – 3,00, seguido pelo Globo, com – 1,93, e a Folha, com – 1,29. O IV de março, até o momento, é de – 1,92, o mais negativo desde junho de 2025.
[1] Páginas 2, 3 e 4, da Folha de S.Paulo, e páginas 2 e 3, dos jornais O Globo e Estado de S.Paulo.
[2] As valências no gráfico estão associadas às posições e ações do presidente ou do Governo Federal em diferentes áreas. Por exemplo, um texto sobre economia com valência negativa para Lula significa que o texto versa sobre economia e que a maneira como o presidente é retratado é negativa ou desfavorável.
[3] O Índice de Viés (IV) é calculado pela fórmula (F-C)/(A+N), na qual “F” é o n° de favoráveis, “C”, o n° de contrárias, “A”, o n° de ambivalentes e “N”, o n° de neutras.
Gráfico 2. Temas mais presentes na cobertura do Governo Federal e de Lula

Nas primeiras semanas de março, três temas dominaram a agenda de cobertura política e econômica. O primeiro foi o cenário eleitoral de 2026. Pesquisas de popularidade divulgadas pela imprensa apontaram queda na aprovação do governo Lula, enquanto levantamentos de intenção de votos sugeriram crescimento de Flávio Bolsonaro.
Os desdobramentos da crise envolvendo o INSS foram o segundo tema mais repercutido. A imprensa deu ampla cobertura sobre as investigações da Polícia Federal que chegaram a Lulinha, sugerindo que o filho do presidente pode se tornar “um problemão” para a reeleição do próprio presidente. Parlamentares do Senado Federal mantiveram a quebra de sigilo de Lulinha em um movimento para impor uma derrota ao governo que, por sua vez, tenta minimizar o episódio.
A política fiscal voltou ao centro do debate na esteira da divulgação do resultado do PIB, que registrou o menor desempenho desde 2020. Embora o número não tenha surpreendido os analistas ouvidos pela mídia, os jornais destacaram a necessidade de melhora em 2026, especialmente para aproveitar o bom início de ano e conter, projetada para superar a meta oficial de 3%.
Gráfico 3. Cobertura do Governo Federal por tipo de texto[4]

No período analisado, o Estadão apresentou editoriais negativos, foram 15 no total. A Folha priorizou chamadas e editoriais negativos, com quatro textos em cada. E o Globo publicou oito colunas negativas.
[4] Neste gráfico, vemos mais claramente o posicionamento dos jornais, em seus editoriais e na seção de opinião, por meio de colunistas e artigos de convidados.
Gráfico 4. Cobertura do Presidente Lula por jornal

Em março, o Estadão inicia como o mais negativo, com – 2,46, seguido pelo Globo, com – 2,25, e pela Folha, com – 1,77. O IV de março, até o momento, é de – 2,12, o IV mais desfavorável desde junho de 2025.
Gráfico 5. Cobertura do Presidente Lula por tipo de texto

No período analisado, o Estadão dedicou seus editoriais à oposição ao presidente Lula, com 13 textos de teor desfavorável. Já no Globo, as colunas concentraram a cobertura desfavorável, totalizando dez publicações críticas. A Folha distribuiu seu conteúdo negativo entre chamadas e as colunas, com cinco peças em cada formato.
A cobertura das três publicações discutiu pesquisas que sugerem que Lula está em apuros para conquistar a reeleição. Os jornais repercutiram levantamento que indicam queda nos índices de popularidade do presidente e ascensão nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro, seu principal adversário no momento. O segundo assunto de grande repercussão envolveu os desdobramentos da crise no INSS que atingiu Lulinha, o filho do presidente. A imprensa interpretou o episódio como um potencial entrave para a reeleição de Lula, destacando que a atuação do Senado manteve a quebra do sigilo do filho do presidente. Por fim, a política fiscal ocupou espaço relevante na cobertura. Embora os jornais considerassem o dado esperado diante do cenário econômico, teceram críticas à condução da agenda econômica. Os periódicos ressaltaram que os dados sugerem uma perspectiva de melhora e recomendaram que o governo aproveite o momento para a retomada do crescimento.
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DONI
O De Olho Na Imprensa! (DONI) é um relatório semanal produzido pela equipe do Manchetômetro, que é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e Esfera Pública (LEMEP), do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ).
Utilizamos as metodologias da Análise de Valências e Análise de Enquadramentos para avaliar o posicionamento dos jornais.
Expediente:
Natália Paiva – Coleta e codificação de dados
Eduardo Barbabela – Revisão de dados, análise e redação
Pollyanna Brêtas – Redação e revisão
João Feres Junior – Revisão, redação e análise
André Madruga – Divulgação
Lidiane Vieira – Divulgação
[1] As valências no gráfico estão associadas às posições e ações tomadas pelo presidente ou pelo Governo Federal em relação aos temas. Por exemplo, um texto sobre economia com valência Negativa para Lula significa que o texto versa sobre economia e que a maneira como o presidente nele é tratado é negativa ou desfavorável.
[2] O Índice de Viés (IV) é calculado pela fórmula (F-C)/(A+N), na qual F é o n° de favoráveis, C o n° de contrárias, A o n° de ambivalentes e N o n° de neutras.
[3] Neste gráfico vemos mais claramente o posicionamento dos jornais, em seus editoriais e na opinião que representam em suas páginas, por meio de colunistas e artigos de convidados.
