O Manchetômetro é um site de acompanhamento da cobertura da grande mídia sobre temas de economia e política produzido pelo Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (LEMEP). O LEMEP tem registro no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq e é sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O Manchetômetro não tem filiação com partidos ou grupos econômicos.

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DONI # 142 – 01 a 15 de Abril de 2026

No DONI, são examinados os textos que citam o governo federal, o presidente Lula ou algum personagem ou instituição do Executivo, publicados nos jornais O Globo, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo. A análise abrange manchetes, chamadas de capa, artigos de opinião, colunas e editoriais [1].

A partir desta semana analisaremos também a cobertura das Eleições Presidenciais de 2026, particularmente as notícias e textos sobre os pré-candidatos à Presidência e os quatro principais partidos na corrida presidencial.


[1] Páginas 2, 3 e 4, da Folha de S.Paulo, e páginas 2 e 3, dos jornais O Globo e Estado de S.Paulo.

PRINCIPAIS DESCOBERTAS

ESPECIAL Eleições 2026: Lula e PT são os atores com os IVs mais negativos na quinzena, enquanto e Zema e PSD registram os IVs mais positivos

Política Fiscal: A cobertura enfatiza o tema do endividamento das famílias, com destaque para o relançamento do programa Desenrola. Predominam interpretações críticas à iniciativa.

Eleições 2026: Os jornais destacam dificuldades de Flávio Bolsonaro em se consolidar como liderança de direita, em contraste com a ampliação de apoios a Ronaldo Caiado.

Posicionamento Editorial: O Estadão é o veículo com cobertura mais negativa em relação ao governo federal e a Lula.

ESPECIAL ELEIÇÕES 2026

Gráfico 1.Cobertura dos candidatos presidenciáveis (IV) [2]

O gráfico acima apresenta o Índice de Valência dos Candidatos à Presidência 2026. A primeira quinzena de abril registra Lula como o candidato com o IV mais negativo, seguido por Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro. A pré-candidatura de Romeu Zema é a única esta semana com IV positivo. Cabo Daciolo e Renan Santos não são citados em nenhum dos textos analisados.

Gráfico 2 Cobertura dos partidos (IV)

A cobertura eleitoral na quinzena é marcada por assimetria nas valências atribuídas aos principais atores. Lula, Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro concentram índices negativos, enquanto Romeu Zema se destaca como o único pré-candidato com IV positivo no período. No plano partidário, PT e MDB apresentam valências negativas, em contraste com PL e PSD, que registram resultados positivos.
No campo da direita, a cobertura enfatiza dificuldades de coordenação e disputa por liderança, com destaque para a perda de espaço de Flávio Bolsonaro e a ampliação de apoio a Ronaldo Caiado, inclusive junto a segmentos religiosos insatisfeitos com a escolha do filho 01 do ex-presidente. Esse movimento aparece, nos textos analisados, associado à fragmentação do campo conservador e à incerteza quanto à definição de uma candidatura competitiva.
A cobertura se organiza de modo menos enfático em torno da comparação de propostas ou agendas e mais na leitura da correlação de forças entre atores, privilegiando sinais de avanço ou enfraquecimento político, como ganho ou perda de apoios, capacidade de articulação e exposição a críticas.

COBERTURA GOVERNO FEDERAL E PRESIDENTE LULA

Gráfico 3 Cobertura do Governo Federal por jornal (valências)

O mês de março termina com o Estadão como o mais desfavorável, com – 2,36, seguido pela Folha, com – 1,29, e o Globo, com – 1,08. O IV de abril parcial é de – 1,41, o mais negativo desde dezembro de 2025.

[1] Páginas 2, 3 e 4, da Folha de S.Paulo, e páginas 2 e 3, dos jornais O Globo e Estado de S.Paulo.

[2] As valências no gráfico estão associadas às posições e ações do presidente ou do Governo Federal em diferentes áreas. Por exemplo, um texto sobre economia com valência negativa para Lula significa que o texto versa sobre economia e que a maneira como o presidente é retratado é negativa ou desfavorável.

[3] O Índice de Viés (IV) é calculado pela fórmula (F-C)/(A+N), na qual “F” é o n° de favoráveis, “C”, o n° de contrárias, “A”, o n° de ambivalentes e “N”, o n° de neutras.

Gráfico 4. Temas mais presentes na cobertura

Na primeira metade de abril, três temas concentraram a cobertura política e econômica.
O primeiro foi a política fiscal, com destaque para o relançamento do programa Desenrola. Parte significativa dos textos associa o endividamento das famílias a decisões do governo

federal e apresenta o programa sob um enquadramento crítico, frequentemente caracterizando-o como insuficiente ou problemático para enfrentar a questão.
O segundo tema foi o cenário eleitoral de 2026. Os jornais destacam dificuldades de Flávio Bolsonaro em consolidar sua candidatura, especialmente diante do crescimento de apoio a Ronaldo Caiado. Também aparecem avaliações sobre o timing das ações do governo federal no contexto eleitoral e o uso da máquina pública.
O terceiro assunto mais abordado foi a crise no governo. A cobertura mobiliza declarações de atores políticos para discutir responsabilidades pelo desgaste da gestão de Lula. Mas há divergências nos textos analisados. Enquanto algumas interpretações atribuem o problema à comunicação governamental, outras o relacionam diretamente a decisões e erros estratégicos do próprio governo.

Gráfico 5. Cobertura do Governo Federal por tipo de texto[4]

No período analisado, o Estadão apresentou 14 editoriais negativos. A Folha e Globo publicaram nove chamadas negativas cada.

[4] Neste gráfico, vemos mais claramente o posicionamento dos jornais, em seus editoriais e na seção de opinião, por meio de colunistas e artigos de convidados.

Gráfico 6. Cobertura do Presidente Lula por jornal

O mês de março termina com o Estadão como o mais desfavorável, com – 4,71, seguido pela Folha, com – 2,07, e o Globo, com – 1,55. O IV de abril parcial é de – 2,26, o mais negativo desde junho de 2025.

Gráfico 7. Cobertura do Presidente Lula por tipo de texto

No período analisado, o Estadão dedicou seus editoriais à oposição ao presidente Lula, com 18 textos de teor desfavorável. Já no Globo, as colunas e as chamadas concentraram a cobertura contrária, totalizando 11 publicações. A Folha distribuiu seu conteúdo negativo em chamadas, com 13 peças.

Para baixar o nosso relatório, clique aqui.

DONI

O De Olho Na Imprensa! (DONI) é um relatório semanal produzido pela equipe do Manchetômetro, que é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e Esfera Pública (LEMEP), do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ).

Utilizamos as metodologias da Análise de Valências e Análise de Enquadramentos para avaliar o posicionamento dos jornais.

Expediente:

Natália Paiva – Coleta e codificação de dados

Eduardo Barbabela – Revisão de dados, análise e redação

Pollyanna Brêtas – Redação e revisão

João Feres Junior – Revisão, redação e análise

André Madruga – Divulgação

Lidiane Vieira – Divulgação


[1] As valências no gráfico estão associadas às posições e ações tomadas pelo presidente ou pelo Governo Federal em relação aos temas. Por exemplo, um texto sobre economia com valência Negativa para Lula significa que o texto versa sobre economia e que a maneira como o presidente nele é tratado é negativa ou desfavorável.

[2] O Índice de Viés (IV) é calculado pela fórmula (F-C)/(A+N), na qual F é o n° de favoráveis, C o n° de contrárias, A o n° de ambivalentes e N o n° de neutras.

[3] Neste gráfico vemos mais claramente o posicionamento dos jornais, em seus editoriais e na opinião que representam em suas páginas, por meio de colunistas e artigos de convidados.

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Criado em 2014, o Manchetômetro (IESP-UERJ) é o único site de monitoramento contínuo da grande mídia brasileira. As pesquisas do Manchetômetro são realizadas por uma equipe com alto grau de treinamento acadêmico e profissional.

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