O Manchetômetro é um site de acompanhamento da cobertura da grande mídia sobre temas de economia e política produzido pelo Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (LEMEP). O LEMEP tem registro no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq e é sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O Manchetômetro não tem filiação com partidos ou grupos econômicos.

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DONI # 144 – 01 a 15 de Maio de 2026

No DONI, são examinados os textos que citam o governo federal, o presidente Lula ou algum personagem ou instituição do Executivo, publicados nos jornais O Globo, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo. A análise abrange manchetes, chamadas de capa, artigos de opinião, colunas e editoriais [1].

A partir desta semana analisaremos também a cobertura das Eleições Presidenciais de 2026, particularmente as notícias e textos sobre os pré-candidatos à Presidência e os quatro principais partidos na corrida presidencial.


[1] Páginas 2, 3 e 4, da Folha de S.Paulo, e páginas 2 e 3, dos jornais O Globo e Estado de S.Paulo.

PRINCIPAIS DESCOBERTAS

ESPECIAL Eleições 2026: Flávio Bolsonaro e PL são os atores com os IVs mais negativos.

Rejeição de Messias: A imprensa interpretou a rejeição ao nome de Jorge Messias ao STF como uma disputa política da cúpula do Senado contra o governo

Master: Os jornais destacam a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, indicando que sua revelação deve favorecer Lula na eleição.

Posicionamento Editorial: O Estadão é o veículo com cobertura mais negativa em relação ao governo federal e a Lula.

ESPECIAL ELEIÇÕES 2026

Gráfico 1.Cobertura dos candidatos presidenciáveis (IV) [2]

O gráfico acima apresenta o Índice de Valência (IV) dos Candidatos à Presidência 2026. A primeira quinzena de maio registra Flávio Bolsonaro como o candidato com o IV mais negativo, seguido por Lula e Jair Bolsonaro. As pré-candidaturas de Renan Santos, Aldo Rebelo, Cabo Daciolo e Augusto Cury não foram citadas esta semana. Já Ronaldo Caiado, embora tenha aparecido, sua soma de IV foi igual a 0.

Gráfico 2 Cobertura dos partidos (IV)

No plano partidário, todos os partidos apresentam valências negativas.
A cobertura é fortemente pautada pelas revelações de The Intercept Brasil sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Os textos enfatizam as críticas a essa aproximação como uma evidência da fragilidade da candidatura do senador. A imprensa defende, então, como em outras eleições, a necessidade da convergência de uma direita democrática e um nome alternativo para a disputa presidencial. Além disso, enfatizam que os efeitos do desgaste de Flávio Bolsonaro como fator que deve favorecer o presidente Lula.

COBERTURA GOVERNO FEDERAL E PRESIDENTE LULA

Gráfico 3 Cobertura do Governo Federal por jornal (valências)

O Estadão é o o mais desfavorável, com – 2,27, seguido pela Folha, com – 1,29, e o Globo, com – 0,90. O IV de maio até o momento é de – 1,34.

[1] Páginas 2, 3 e 4, da Folha de S.Paulo, e páginas 2 e 3, dos jornais O Globo e Estado de S.Paulo.

[2] As valências no gráfico estão associadas às posições e ações do presidente ou do Governo Federal em diferentes áreas. Por exemplo, um texto sobre economia com valência negativa para Lula significa que o texto versa sobre economia e que a maneira como o presidente é retratado é negativa ou desfavorável.

[3] O Índice de Viés (IV) é calculado pela fórmula (F-C)/(A+N), na qual “F” é o n° de favoráveis, “C”, o n° de contrárias, “A”, o n° de ambivalentes e “N”, o n° de neutras.

Gráfico 4. Temas mais presentes na cobertura do Governo Federal e de Lula

Na primeira quinzena de maio, três temas concentraram a cobertura política e econômica.
O primeiro foi o Supremo Tribunal Federal, com destaque para a rejeição de Messias no Senado. Os jornais acusam Lula e o governo de não se articularem corretamente e de ignorarem os avisos

dos aliados para não insistir no nome de Messias. Para os jornais, a rejeição do Senado foi uma ferramenta na disputa entre Davi Alcolumbre e Lula.
O segundo tema foi o Desenrola. Os jornais criticaram a segunda edição do programa do governo federal, classificando o projeto como um exemplo de populismo fiscal , que não deverá resolver o aumento da inadimplência.
O terceiro assunto mais abordado foram as Eleições de 2026. A cobertura destacou o petismo e bolsonarismo nas disputas regionais e avaliam que os dois grupos são prisioneiros do centrão.. Os textos também sinalizam que o caso Master atinge mais o centrão e Flávio Bolsonaro, o que beneficiaria Lula.

Gráfico 5. Cobertura do Governo Federal por tipo de texto[4]

No período analisado, o Estadão apresentou 19 editoriais negativos. A Folha e O Globo priorizaram chamadas contrárias ao governo federal: foram 19 textos em cada jornal.

[4] Neste gráfico, vemos mais claramente o posicionamento dos jornais, em seus editoriais e na seção de opinião, por meio de colunistas e artigos de convidados.

Gráfico 6. Cobertura do Presidente Lula por jornal

O Estadão também é o mais desfavorável em relação a Lula, com – 1,39, seguido pela Folha, com – 1,09, e o Globo, com – 0,65. O IV de maio até o momento é de – 1,00, o menor patamar desde outubro de 2025.

Gráfico 7. Cobertura do Presidente Lula por tipo de texto

No período analisado, o Estadão dedicou seus editoriais à oposição ao presidente Lula, com 17 textos contrários. Já no Globo e na Folha, as chamadas concentraram a cobertura negativa, totalizando 20 e 19 publicações, respectivamente.

Conclusão

Em relação ao Supremo, a cobertura privilegiou a rejeição de Messias pelo Senado. A imprensa atribuiu a derrota política a Lula, apontando falha na articulação e desconsideração de alertas dos próprios aliados sobre a baixa viabilidade da indicação. Predominou, contudo, a interpretação de que o episódio não decorreu do exercício regular das prerrogativas institucionais do Senado. Em vez disso, os textos enquadraram a votação como instrumento da disputa política entre Davi Alcolumbre e o presidente da República, esvaziando seu caráter de controle e fiscalização da casa legislativa.
O programa Desenrola constituiu o segundo eixo da cobertura. Os jornais classificam a segunda edição da iniciativa como mais um exemplo de populismo fiscal do governo e demonstraram ceticismo quanto à sua capacidade de produzir efeitos sobre a inadimplência.
Por fim, as eleições de 2026 ganharam espaço crescente no noticiário. A conjuntura foi mobilizada para destacar as disputas entre petismo e bolsonarismo nos estados, enfatizando que os os campos são igualmente dependentes do Centrão.

Para baixar o nosso relatório, clique aqui.

DONI

O De Olho Na Imprensa! (DONI) é um relatório semanal produzido pela equipe do Manchetômetro, que é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e Esfera Pública (LEMEP), do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ).

Utilizamos as metodologias da Análise de Valências e Análise de Enquadramentos para avaliar o posicionamento dos jornais.

Expediente:

Natália Paiva – Coleta e codificação de dados

Eduardo Barbabela – Revisão de dados, análise e redação

Pollyanna Brêtas – Redação e revisão

João Feres Junior – Revisão, redação e análise

André Madruga – Divulgação

Lidiane Vieira – Divulgação


[1] As valências no gráfico estão associadas às posições e ações tomadas pelo presidente ou pelo Governo Federal em relação aos temas. Por exemplo, um texto sobre economia com valência Negativa para Lula significa que o texto versa sobre economia e que a maneira como o presidente nele é tratado é negativa ou desfavorável.

[2] O Índice de Viés (IV) é calculado pela fórmula (F-C)/(A+N), na qual F é o n° de favoráveis, C o n° de contrárias, A o n° de ambivalentes e N o n° de neutras.

[3] Neste gráfico vemos mais claramente o posicionamento dos jornais, em seus editoriais e na opinião que representam em suas páginas, por meio de colunistas e artigos de convidados.

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Criado em 2014, o Manchetômetro (IESP-UERJ) é o único site de monitoramento contínuo da grande mídia brasileira. As pesquisas do Manchetômetro são realizadas por uma equipe com alto grau de treinamento acadêmico e profissional.

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