DONI # 132 – 01 a 07 de Novembro de 2025
No DONI semanal, são examinados os textos que citam o governo federal, o presidente Lula ou algum personagem ou instituição do Executivo, publicados nos jornais O Globo, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo. A análise abrange manchetes, chamadas de capa, artigos de opinião, colunas e editoriais [1].
[1] Páginas 2, 3 e 4, da Folha de S.Paulo, e páginas 2 e 3, dos jornais O Globo e Estado de S.Paulo.
PRINCIPAIS DESCOBERTAS
Operação com 121 mortos: A cobertura da imprensa sobre a ação de Claudio Castro no Rio distribuiu críticas ao governo federal, principalmente ao ministro Lewandowski (Justiça).
Juros altos na mira do Planalto: A imprensa reproduziu a insatisfação do governo com a manutenção da taxa Selic pelo BC. Para os jornais, a decisão foi um “balde de água fria” nas expectativas da equipe econômica.
Posicionamento Editorial: O Estadão se apresenta como o veículo mais crítico ao governo federal, enquanto a Folha se coloca como o mais crítico a Lula.
Gráfico 1. Cobertura do Governo Federal por jornal (valências)[2]

Em novembro, Estadão e Folha intensificaram a cobertura negativa, enquanto o Globo chegou a reduzir o número de inserções desfavoráveis. O mês começa com o Estadão no topo do ranking como o jornal mais crítico, com IV3 de – 2,00, seguido pela Folha, com –1,27, e pelo Globo, com – 0,23. O IV de novembro até o momento é de – 0,91.
[1] Páginas 2, 3 e 4, da Folha de S.Paulo, e páginas 2 e 3, dos jornais O Globo e Estado de S.Paulo.
[2] As valências no gráfico estão associadas às posições e ações do presidente ou do Governo Federal em diferentes áreas. Por exemplo, um texto sobre economia com valência negativa para Lula significa que o texto versa sobre economia e que a maneira como o presidente é retratado é negativa ou desfavorável.
[3] O Índice de Viés (IV) é calculado pela fórmula (F-C)/(A+N), na qual “F” é o n° de favoráveis, “C”, o n° de contrárias, “A”, o n° de ambivalentes e “N”, o n° de neutras.
Gráfico 2. Temas mais presentes na cobertura do Governo Federal e de Lula

Nesta semana, a repercussão sobre a Operação Contenção se manteve como o principal assunto. As críticas ao ministro Ricardo Lewandowski (Justiça) foram retomadas por seu silêncio, considerado constrangedor. Além disso, a cobertura priorizou o debate no Legislativo, reverberando as manifestações negativas sobre as declarações de Lula e Hugo Motta. A imprensa destacou a má avaliação do governo no episódio.
Ainda dentro do tema, a Segurança Pública em evidência. As discussões sobre a PEC da Segurança e sobre a chamada “premissa da esquerda” ganharam espaço. Os jornais ressaltaram que o governo obteve 52% de apoio da sociedade à PEC, mas criticaram posições de esquerda sobre negligência com os pobres e vitimização de criminosos. Apontaram, ainda, que as políticas redistributivas de Lula não teriam melhorado a segurança pública. A imprensa também pontuou que as propostas da esquerda e da direita não enfrentam o problema de forma estrutural.
O terceiro tema mais comentado foi a manutenção da taxa Selic. As análises elogiaram a decisão, afirmando que ela representou balde de água fria para Lula e Haddad, ao colocar a política monetária e política fiscal em rota de colisão.
Gráfico 3. Cobertura do Governo Federal por tipo de texto[4]

No período analisado, o Estadão priorizou posicionamento negativo nos editoriais, com seis edições. A Folha também apresentou editoriais desfavoráveis, com quatro textos. Já o Globo registra duas chamadas e duas colunas contrárias.
[4] Neste gráfico, vemos mais claramente o posicionamento dos jornais, em seus editoriais e na seção de opinião, por meio de colunistas e artigos de convidados.
Gráfico 4. Cobertura do Presidente Lula por jornal

Em novembro, a Folha aparece como jornal mais crítico a Lula, com IV de – 1,70, seguida pelo Estadão, com – 1,20, e Globo, com -0,36. O IV de novembro até o momento é de – 1,00.
Gráfico 5. Cobertura do Presidente Lula por tipo de texto

Nesta semana, os três jornais concentram as críticas ao presidente em suas chamadas: o Estadão publicou cinco textos contrários, O Globo veiculou três matérias negativas e a Folha divulgou seis peças desfavoráveis. Os editoriais e colunas de Estado e Folha também foram predominantemente desfavoráveis ao presidente.
As publicações também direcionaram a cobertura para a Operação Contenção, interpretada como uma crise para o governo federal. Ressaltaram que o governo não reagiu adequadamente, o que teria contribuído para a piora de sua avaliação junto ao público. As edições ainda repercutiram o debate sobre segurança pública e as posições divergentes de direita e esquerda, consideradas pouco estruturantes. Por fim, a manutenção da Selic ganhou relevo. Os jornais elogiaram a decisão e sugeriram que o governo demonstrou insatisfação com o resultado, embora sem dirigir críticas diretas ao presidente do BC, Gabriel Galípolo.
Para baixar o nosso relatório, clique aqui.
DONI
O De Olho Na Imprensa! (DONI) é um relatório semanal produzido pela equipe do Manchetômetro, que é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e Esfera Pública (LEMEP), do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ).
Utilizamos as metodologias da Análise de Valências e Análise de Enquadramentos para avaliar o posicionamento dos jornais.
Expediente:
Natália Paiva – Coleta e codificação de dados
Eduardo Barbabela – Revisão de dados, análise e redação
Pollyanna Brêtas – Redação e revisão
João Feres Junior – Revisão, redação e análise
André Madruga – Divulgação
Lidiane Vieira – Divulgação
[1] As valências no gráfico estão associadas às posições e ações tomadas pelo presidente ou pelo Governo Federal em relação aos temas. Por exemplo, um texto sobre economia com valência Negativa para Lula significa que o texto versa sobre economia e que a maneira como o presidente nele é tratado é negativa ou desfavorável.
[2] O Índice de Viés (IV) é calculado pela fórmula (F-C)/(A+N), na qual F é o n° de favoráveis, C o n° de contrárias, A o n° de ambivalentes e N o n° de neutras.
[3] Neste gráfico vemos mais claramente o posicionamento dos jornais, em seus editoriais e na opinião que representam em suas páginas, por meio de colunistas e artigos de convidados.
