DONI # 143- 16 a 30 de Abril de 2026

No DONI, são examinados os textos que citam o governo federal, o presidente Lula ou algum personagem ou instituição do Executivo, publicados nos jornais O Globo, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo. A análise abrange manchetes, chamadas de capa, artigos de opinião, colunas e editoriais [1].
A partir desta semana analisaremos também a cobertura das Eleições Presidenciais de 2026, particularmente as notícias e textos sobre os pré-candidatos à Presidência e os quatro principais partidos na corrida presidencial.
[1] Páginas 2, 3 e 4, da Folha de S.Paulo, e páginas 2 e 3, dos jornais O Globo e Estado de S.Paulo.
PRINCIPAIS DESCOBERTAS
ESPECIAL Eleições 2026: Lula e PT são os atores com os IVs mais negativos na quinzena, que não registrou desempenho positivo de outros personagens
Política Fiscal: A cobertura enfatiza o tema do PLDO e da suposta irresponsabilidade fiscal do governo. Predominam interpretações críticas ao governo e sua proposta.
Corrida eleitoral: Os jornais destacam o empate técnico de Lula e de Flávio Bolsonaro na pesquisa da Quaest e apresentam novo candidato, Augusto Cury (Avante).
Posicionamento Editorial: O Estadão é o veículo com cobertura mais negativa em relação ao governo federal e a Lula.
ESPECIAL ELEIÇÕES 2026
Gráfico 1.Cobertura dos candidatos presidenciáveis (IV) [2]

O gráfico acima apresenta o Índice de Valência dos candidatos à Presidência 2026. A segunda quinzena de abril registra Lula como o candidato com o IV mais negativo, seguido por Zema e Renan Santos. As pré-candidaturas de Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro são citadas, porém possuem soma de IVs igual a 0.
Gráfico 2 Cobertura dos partidos (IV)

No plano partidário, PT, PSD e MDB apresentam valências negativas, em contraste com o PL que apresenta uma valência neutra.
No campo da direita, a cobertura enfatiza o caso de Romeu Zema (Novo) no STF, destacando que, embora citado no inquérito das fake news, o governador não deve ser incluído pela PGR no processo. Os jornais também ressaltaram o crescimento do espaço político de Flávio Bolsonaro e as incertezas em torno de uma candidatura competitiva para 2026. A cobertura se organiza menos sobre a comparação de propostas ou agendas políticas e mais na interpretação da pesquisa da Quaest, que indicou um cenário de empate entre Lula e Flávio Bolsonaro. As publicações também passaram a apresentar um novo nome na disputa eleitoral: Augusto Cury (Avante), cuja atuação será acompanhada a partir da próxima quinzena.
COBERTURA GOVERNO FEDERAL E PRESIDENTE LULA
Gráfico 3 Cobertura do Governo Federal por jornal (valências)

O mês de abril termina com o Estadão como o veículo mais desfavorável, com – 2,04, seguido pela Folha, com – 1,86, e o Globo, com – 1,20. O IV de abril foi de – 1,61, o mais negativo desde dezembro de 2025.
[1] Páginas 2, 3 e 4, da Folha de S.Paulo, e páginas 2 e 3, dos jornais O Globo e Estado de S.Paulo.
[2] As valências no gráfico estão associadas às posições e ações do presidente ou do Governo Federal em diferentes áreas. Por exemplo, um texto sobre economia com valência negativa para Lula significa que o texto versa sobre economia e que a maneira como o presidente é retratado é negativa ou desfavorável.
[3] O Índice de Viés (IV) é calculado pela fórmula (F-C)/(A+N), na qual “F” é o n° de favoráveis, “C”, o n° de contrárias, “A”, o n° de ambivalentes e “N”, o n° de neutras.
Gráfico 4. Temas mais presentes na cobertura do Governo Federal e de Lula

Na segunda metade de abril, três temas concentraram a cobertura política e econômica.
O primeiro foi a política fiscal, com destaque para a meta de superávit de 0,5% do PIB prevista pelo governo. Os jornais criticam o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) para 2027, argumentando que o texto apresentava mais aspectos negativos do que positivos, reforçando a irresponsabilidade fiscal do governo Lula. Ao mesmo tempo, a imprensa associou a elevação da dívida pública a um indicador perda de credibilidade da política fiscal no terceiro governo de Lula.
O segundo tema foi o cenário eleitoral de 2026. Os jornais enfatizaram a desaprovação do governo e a queda de Lula nas pesquisas da Quaest, ressaltando o empate técnico com Flávio Bolsonaro, apontado como um candidato que teria ampliado seu desempenho mesmo em um contexto de baixa mobilização eleitoral. As publicações também discutiram o uso da máquina pública pelo presidente para fortalecer sua candidatura, embora tenha mencionado que prática semelhante ocorreu no governo de Jair Bolsonaro.
O terceiro assunto mais abordado foi o STF, com duas discussões centrais. A primeira foi a rejeição de Messias para a Suprema Corte brasileira, com destaque para a postura considerada hostil do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ao governo, sobretudo por sua preferência por Rodrigo Pacheco para a vaga. A segunda está relacionada a Romeu Zema, citado no inquérito sobre fake news, mas cuja inclusão no processo não é apoiada pela PGR.
Gráfico 5. Cobertura do Governo Federal por tipo de texto[4]

No período analisado, o Estadão apresentou 16 editoriais negativos. A Folha publicou onze chamadas e editoriais desfavoráveis, enquanto o Globo registrou onze colunas contrárias.
[4] Neste gráfico, vemos mais claramente o posicionamento dos jornais, em seus editoriais e na seção de opinião, por meio de colunistas e artigos de convidados.
Gráfico 6. Cobertura do Presidente Lula por jornal

O mês de abril termina com o Estadão como o mais desfavorável, com – 4,12, seguido pela Folha, com – 1,82, e o Globo, com – 1,59. O IV de abril foi de – 2,15, o mais negativo desde junho de 2025.
Gráfico 7. Cobertura do Presidente Lula por tipo de texto

No período analisado, o Estadão dedicou seus editoriais à oposição ao presidente Lula, com 17 textos contrários. Já no Globo e na Folha, as chamadas concentraram a cobertura negativa, totalizando 20 e 19 publicações, respectivamente.
Conclusão
Em relação ao Supremo, a cobertura privilegiou a rejeição de Messias pelo Senado. A imprensa atribuiu a derrota política a Lula, apontando falha na articulação e desconsideração de alertas dos próprios aliados sobre a baixa viabilidade da indicação. Predominou, contudo, a interpretação de que o episódio não decorreu do exercício regular das prerrogativas institucionais do Senado. Em vez disso, os textos enquadraram a votação como instrumento da disputa política entre Davi Alcolumbre e o presidente da República, esvaziando seu caráter de controle e fiscalização da casa legislativa.
O programa Desenrola constituiu o segundo eixo da cobertura. Os jornais classificam a segunda edição da iniciativa como mais um exemplo de populismo fiscal do governo e demonstraram ceticismo quanto à sua capacidade de produzir efeitos sobre a inadimplência.
Por fim, as eleições de 2026 ganharam espaço crescente no noticiário. A conjuntura foi mobilizada para destacar as disputas entre petismo e bolsonarismo nos estados, enfatizando que os campos são igualmente dependentes do Centrão.
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DONI
O De Olho Na Imprensa! (DONI) é um relatório semanal produzido pela equipe do Manchetômetro, que é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e Esfera Pública (LEMEP), do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ).
Utilizamos as metodologias da Análise de Valências e Análise de Enquadramentos para avaliar o posicionamento dos jornais.
Expediente:
Natália Paiva – Coleta e codificação de dados
Eduardo Barbabela – Revisão de dados, análise e redação
Pollyanna Brêtas – Redação e revisão
João Feres Junior – Revisão, redação e análise
André Madruga – Divulgação
Lidiane Vieira – Divulgação
[1] As valências no gráfico estão associadas às posições e ações tomadas pelo presidente ou pelo Governo Federal em relação aos temas. Por exemplo, um texto sobre economia com valência Negativa para Lula significa que o texto versa sobre economia e que a maneira como o presidente nele é tratado é negativa ou desfavorável.
[2] O Índice de Viés (IV) é calculado pela fórmula (F-C)/(A+N), na qual F é o n° de favoráveis, C o n° de contrárias, A o n° de ambivalentes e N o n° de neutras.
[3] Neste gráfico vemos mais claramente o posicionamento dos jornais, em seus editoriais e na opinião que representam em suas páginas, por meio de colunistas e artigos de convidados.
