DONI # 141 – 14 a 31 de Março de 2026
No DONI, são examinados os textos que citam o governo federal, o presidente Lula ou algum personagem ou instituição do Executivo, publicados nos jornais O Globo, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo. A análise abrange manchetes, chamadas de capa, artigos de opinião, colunas e editoriais [1].
[1] Páginas 2, 3 e 4, da Folha de S.Paulo, e páginas 2 e 3, dos jornais O Globo e Estado de S.Paulo.
PRINCIPAIS DESCOBERTAS
Eleições 2026: A escolha de Caiado recebe ampla repercussão no período. Os textos indicam, ainda, uma preocupação no campo petista com o possível desgaste da imagem de Lula, candidato recorrente desde 1989.
Política Fiscal: A cobertura enfatiza os esforços do governo para conter os impactos da crise decorrente da guerra do Irã. Apesar de indicadores econômicos positivos, os jornais destacam a percepção de que esses resultados ainda não se traduzem em melhoria concreta no poder de compra da população.
Posicionamento Editorial: O Estadão se apresenta como o veículo com cobertura mais negativa em relação ao governo federal e a Lula.
Gráfico 1. Cobertura do Governo Federal por jornal (valências)[2]

O mês de março termina com o Estadão como o veículo mais desfavorável, com – 2,13, seguido pelo Globo, com – 1,29, e a Folha, com – 0,87. O IV de março é de – 1,34, o mais negativo desde dezembro de 2025.
[1] Páginas 2, 3 e 4, da Folha de S.Paulo, e páginas 2 e 3, dos jornais O Globo e Estado de S.Paulo.
[2] As valências no gráfico estão associadas às posições e ações do presidente ou do Governo Federal em diferentes áreas. Por exemplo, um texto sobre economia com valência negativa para Lula significa que o texto versa sobre economia e que a maneira como o presidente é retratado é negativa ou desfavorável.
[3] O Índice de Viés (IV) é calculado pela fórmula (F-C)/(A+N), na qual “F” é o n° de favoráveis, “C”, o n° de contrárias, “A”, o n° de ambivalentes e “N”, o n° de neutras.
Gráfico 2. Temas mais presentes na cobertura do Governo Federal e de Lula

Na segunda metade de março, três temas dominaram a agenda de cobertura política e econômica. O primeiro foi o cenário eleitoral de 2026. Os jornais destacam a decisão do PSD em escolher Ronaldo Caiado como candidato à Presidência, bem como sua estratégia de se dissociar da imagem de Flávio Bolsonaro. As reportagens também registram críticas no campo petista à possibilidade de Lula disputar a reeleição, sugerindo preocupação com um eventual desgaste de sua imagem junto à opinião pública.
A política fiscal retorna ao centro do debate na esteira da divulgação da pesquisa Quaest, que aponta uma percepção negativa dos brasileiros em relação ao preço dos alimentos e às dificuldades no mercado de trabalho. Nesse contexto, a cobertura enfatiza as medidas do governo para conter a alta dos juros e dos preços, agravada pelos efeitos da guerra do Irã. Ainda assim, os textos ressaltam que, apesar de indicadores econômicos positivos, a melhora não é percebida de forma concreta pela população.
Os desdobramentos da crise envolvendo o INSS configuram o terceiro eixo de maior repercussão. A imprensa adota tom crítica em relação aos resultados da CPMI, frequentemente descrita como frustrante. Também ganham destaque os desdobramentos da chamada crise de “Lulinha” e a decisão do ministro André Mendonça de prorrogar os trabalhos da comissão, posteriormente revertida pelo próprio Supremo Tribunal Federal.
Gráfico 3. Cobertura do Governo Federal por tipo de texto[4]

No período analisado, o Estadão publicou 33 editoriais negativos. A Folha registou 15 editoriais negativos. Já o Globo apresentou 21 chamadas negativas.
[4] Neste gráfico, vemos mais claramente o posicionamento dos jornais, em seus editoriais e na seção de opinião, por meio de colunistas e artigos de convidados.
Gráfico 4. Cobertura do Presidente Lula por jornal

Em março, o Estadão inicia como o mais negativo, com – 2,95, seguido pelo Globo, com – 1,75, e pela Folha, com – 1,14. O IV de março, até o momento, é de – 1,81, o IV mais desfavorável desde junho de 2025.
Gráfico 5. Cobertura do Presidente Lula por tipo de texto

No período analisado, o Estadão concentrou sua cobertura opinativa na oposição ao presidente Lula, com 31 editoriais de teor desfavorável. No Globo, a abordagem crítica se manifestou sobretudo em colunas e chamadas, com 18 publicações negativas em cada formato. Já a Folha distribuiu seu conteúdo desfavorável principalmente em chamadas, totalizando 16 peças.
A cobertura dos três veículos convergiu em torno de alguns temas centrais. O primeiro foi a decisão do PSD de lançar candidatura própria à Presidência, acompanhada das tentativas de dissociação da imagem de Flávio Bolsonaro. Nesse contexto, os jornais sugerem que a escolha por Caiado indica fragilidade do chamado centro político, visto como com poucas chances nas próximas eleições.
O segundo tema de maior repercussão foi a política fiscal, especialmente em relação aos efeitos da guerra no Irã. Embora a cobertura registre os esforços do governo para conter a alta de preços, predomina a interpretação de que os indicadores econômicos positivos não se traduzem em melhora perceptível para a população.
A crise envolvendo o INSS também ocupou espaço relevante. Os jornais adotam uma avaliação crítica dos resultados da CPMI, frequentemente caracterizada como fracassada, e passam a enfatizar os desdobramentos institucionais do caso, com destaque para as decisões do STF.
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DONI
O De Olho Na Imprensa! (DONI) é um relatório semanal produzido pela equipe do Manchetômetro, que é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e Esfera Pública (LEMEP), do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ).
Utilizamos as metodologias da Análise de Valências e Análise de Enquadramentos para avaliar o posicionamento dos jornais.
Expediente:
Natália Paiva – Coleta e codificação de dados
Eduardo Barbabela – Revisão de dados, análise e redação
Pollyanna Brêtas – Redação e revisão
João Feres Junior – Revisão, redação e análise
André Madruga – Divulgação
Lidiane Vieira – Divulgação
[1] As valências no gráfico estão associadas às posições e ações tomadas pelo presidente ou pelo Governo Federal em relação aos temas. Por exemplo, um texto sobre economia com valência Negativa para Lula significa que o texto versa sobre economia e que a maneira como o presidente nele é tratado é negativa ou desfavorável.
[2] O Índice de Viés (IV) é calculado pela fórmula (F-C)/(A+N), na qual F é o n° de favoráveis, C o n° de contrárias, A o n° de ambivalentes e N o n° de neutras.
[3] Neste gráfico vemos mais claramente o posicionamento dos jornais, em seus editoriais e na opinião que representam em suas páginas, por meio de colunistas e artigos de convidados.
